A exclusão

A exclusão

“Ia mesmo bem uma cerveja agora.” – E é isto todos os dias. Não é só nas saídas à noite nem ao jantar, é durante todo o santo dia. Uma cervejinha agora ia mesmo bem. Ia bem ao fim da tarde na esplanada. Ia bem a ver o jogo da selecção (ou do Benfica!). Ia bem a seguir ao café. Ia bem com os caracóis. Com tremoços ou amendoins. Ia bem depois de almoço, ia bem à tarde e ia bem à noite. E é barata, é sempre a bebida mais barata. Quando o empregado diz “o que é que vai ser” são logo meia dúzia de cervejas para a mesa do fundo. Ninguém pensa, ninguém vê a carta!

Pois ia mesmo bem mas sabe-me mesmo mal.  Eu não gosto de cerveja. 
E eles dizem “Tens que te habituar”. E eu não percebo muito bem porque é que me devo habituar a uma coisa que não gosto. Ainda por cima dá vontade de ir à casa da banho vezes infinitas. Prefiro continuar a ficar excluída da sociedade enquanto mantenho a minha identidade e peço uma coisa diferente do resto do mundo. Lamento não me juntar ao povo humilde que bebe cerveja. Prefiro ser, repito, excluída enquanto bebo o meu gin tónico ou a minha caipirinha de final de tarde. Ou outra coisa qualquer que me queiram dar desde que não tenha sabor de cevada deslavada.

Mas o que é que eu bebo com os caracóis? (O problema/questão/drama/horror da humanidade) Não é cerveja e continuo a ser feliz. Agora que me assumi publicamente podemos continuar a ser todos amigos ou será que já não me vão convidar para os jantares com bebidas à descrição?

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