Põe-te na fila

Já se sabe, a fila do lado anda sempre mais rápido do que a nossa. Já se sabe também que não adianta mudar porque a fila do lado vai (mesmo) sempre andar mais rápido do que a nossa. Seja a fila da segurança social, para entrar no estádio ou nos concertos. Seja a fila para comprar o pão, o passe do metro ou para ir à casa de banho (excepto se a for a fila das casas de banho dos festivais de verão, porque aí a fila não existe, é tudo ao molho, safa-se quem puder).

Para estar na fila é preciso ter uma certa bagagem. Há sempre quem finja que não percebe e faça a mítica pergunta “olhe desculpe, está na fila?” (Não, que ideia, estou lá agora, estou aqui a ver as vistas!). Há quem simplesmente não finja nada e passe à frente “Eu só queria mesmo uma informação!”. Há quem olhe com olhos de carneiro mal morto, na fila do supermercado, mesmo à espera que alguém diga “São só essas duas coisinhas? Pode passar!” (“Pode passar”, palavras mágicas!). E depois há quem simplesmente desista da fila “O quê, isto é a fila?!” e quem fique lá eternamente a bufar. E toda a gente já passou à frente, já desistiu e já bufou, não é?! 

Também já se sabe (este truque é velho) que dá sempre jeito ter alguém conhecido na fila. Seja na fila do trânsito em que é preciso desesperadamente mudar de faixa de rodagem para não irmos parar ao Porto, ou seja na fila do bar da escola quando queremos urgentemente um croiassant com chocolate, antes que chegue a nossa vez (no fundo da fila) e digam que já não há. Lembro-me de ser a infiltrada que pedia para alguém comprar, mas também me lembro de me calhar ser aquela que dizia “Bom dia, são dez croiassants com chocolate”, e sorria!

 

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