Regresso às aulas? Lembro-me como se fosse ontem

Regresso às aulas? Lembro-me como se fosse ontem

Já que está toda a gente a falar de regresso às aulas… bora lá! Eu adorava esta época. Adorava ir ao hipermercado encher o carrinho, com coisas desnecessárias, sob o olhar atento dos meus pais a pensar “oh meu deus”!

Pois é. Eram canetas de vinte e cinco cores. Muitas micas. (Micas eram vida para mim.) Dossiers e cadernos, nunca consegui decidir então trazia tudo mesmo. Estojo, sempre o mais in, claro. Folhas. Mas tinham que ser das grossas, não serviam umas quaisquer. Blocos, agendas, post its, separadores, cenas e cenas! Adorava tudo. Tinha a mania que era preciso forrar os livros com aquele papel transparente para não se estragarem. Isto originava dias de horror. Os dias de forrar os livros eram de desespero porque eles não podiam ficar com aquelas bolhas de ar nojentas! Não podiam.

Vamos por partes. Que eu lembro-me de tudo. Na primeira classe foi o delírio. Eu não fui à creche e portanto estava histérica na altura de ir para a escola. Sentei-me na primeira fila! Aprendi logo que foi um erro, pois passava o tempo inteiro virada para trás. O recado era sempre igual “A Andreia é muito faladora”. E então? Vamos para a escola pela primeira vez e não podemos comunicar? Socializar? Oh! Nos recreios, estava sempre a organizar as brincadeiras e a distribuir funções… tipo “tu és a power ranger rosa e eu sou a amarela, ok?”

Depois os tempos do básico foram os melhores de sempre. De lá fiquei com grandes amigos, até hoje. É neste tempo que formamos carácter, que temos as primeiras emoções, as primeiras desilusões, os primeiros amores e vivemos tudo como se o mundo fosse acabar amanhã. É! Nesta altura eu morava muito perto da escola e lembro-me que em todos os “furos” a turma toda ia para minha casa. Era o delírio. Fazíamos muitos jogos, passeios, festas…Foi nesta altura que apareceram os telemóveis e a escrita própria das sms. Cada mensagem ocupava muito espaço e pagava-se. Então nós tínhamos que encurtar o texto. Havia sempre tanto para dizer àquelas pessoas com estávamos o dia todo!

Destes tempos guardo muitas situações engraçadas, diverti-me muito. Certa vez, eu e uma amiga decidimos levar gomas com sal para a aula e distribuir pelos colegas. Queridas! Era vê-los um a um “stôra, posso ir ao caixote do lixo?”. As gomas estavam intragáveis e nós só nos riamos! Foi aqui também que passei as maiores vergonhas. Eu nunca levava cábulas, tinha pânico de ser apanhada. Mas uma vez precisava mesmo de ajuda, a minha colega do lado mostrou-me o seu teste e eu copiei a resposta problemática. Estávamos na altura dos testes A e B, e eu copiei a resposta do teste errado. Sim, isso! Vergonha!

Nos tempos de secundário eu quis muito mudar de escola e conhecer novas pessoas. Custou-me um bocado desligar dos antigos colegas mas percebi que os verdadeiros amigos ficam e foi isso mesmo que aconteceu. Fui para uma escola nova e adorei tudo. A adaptação ao décimo ano foi um bocado difícil mas tudo se faz. Aqui decidi que ia passar as aulas a escrever em folhas à parte e quando chegasse a casa passava tudo lindo e maravilhoso para os cadernos ou dossier. Fiquei só com um calo gigante no dedo porque passava os dias a escrever. Mas, tudo bem! Nestes tempos fiz parte da associação de estudantes e foi uma experiência muito interessante. Também conheci gente espetacular e ainda guardo boas recordações.

Na universidade, oh meu deus a universidade, foi há tanto tempo! Bem, na altura da universidade já tinha aprendido algumas coisas e então sentei-me na última fila e foi lá fiz os três anos de licenciatura. Lembro-me que os professores falavam super rápido e eu não queria perder uma palavra, então escrevia freneticamente durante as aulas. Na verdade, os meus apontamentos estavam sempre muito certinhos porque escrevia tudo de novo em casa, era o meu método de estudo. Sempre fui muito organizada (tipo, chata mesmo) nas coisas da escola e dava alguns resultados! Não vivi muito as “cenas” da universidade, nem as praxes, nem as cantorias, mas ganhei um namorado até hoje e fiz amigos que estão presentes todos os dias e isso foi o mais importante!

Hoje em dia… no trabalho, continuo a ser uma pirosa do pior, organizo-me com tabelas, post-its e sublinhados. É um drama. Mas uma coisa é certa, também aqui, no lugar onde vou trabalhar todos os dias conheci pessoas boas e que puxam pelo melhor de mim. São as pessoas que nos influenciam e com quem estamos todos os dias que nos ajudam a crescer.

Mesmo com o material escolar sempre todo a combinar, acho que me safei!

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