A história secreta das minhas plantas

A história secreta das minhas plantas

No início da minha vida nesta casa, tentei ter uma pequena horta caseira. Com um molhinho de salsa e outro de coentros. Depois gostava de meter aquelas placas em ardósia de tamanho mini com os nomes não porque fica giro, mas sim porque sem isso não ia saber distinguir uma coisa da outra.

Avancei depois com a ideia de ter hortelã e manjericão. Aquelas coisas que de repente queremos usar numa comida para mostrar que percebemos imenso de sabores e combinações, mas nunca temos em casa. Mais tarde, tentei também ter aquelas plantações mini de morangos. Achava um máximo vê-los crescer. Acontece que nunca os vi sequer nascer. Nunca nenhuma destas coisas realmente chegou a ver o sol. Nem coentros, nem salsa, nem manjericão nem uma folhinha de hortelã viu a luz do dia nesta casa. Nada.

Todo aquele canto que tinha como efeito a linda função de ser uma uma proliferação de folhas verdes (vulgo horta) nunca existiu. Tive que fazer batota e comprar uns vasinhos jeitosos já com a coisa praticamente criada. Sim, fiz isso! Uma beleza. Durou uns dias, até as pequenas folhas verdes ficarem amarelas e acabarem por sucumbir ao falecimento.

Resolvi mudar de estratégia. Acabaram-se as ervas aromáticas. Há óptimos frascos há venda já com a ervinha esmigalhada. É só misturar duas ou três, despejar na comida, e sabe ao mesmo. Para decoração da varanda optei por plantas. Umas comprei, outras ofereceram-me. As plantas são a alegria de uma casa. Devem ser. Eu não sei. Desta casa não são. Se tudo na minha vida dependesse da forma como eu cuido das plantas era uma uma vida mergulhada em desgraça. Esqueço-me de as regar com bastante frequência. Quando me lembro tento redimir-me e rego em demasia. Algumas já sofreram quedas ou foram partidas, ali mesmo na folha, pumba decapitada. Portanto, as plantas morrem sob os meus cuidados.

Para me tentar livrar desta culpa, vou deixando as plantas, mortas, no sítio onde estão. E ali ficam a lembrar-me da forma negligente como as trato. Na verdade, vou confessar: eu acho sempre que num dia de sol elas vão sentir um chamamento, fazer a fotossíntese e com a ajuda de um milagre vão voltar a erguer-se. Nunca aconteceu.

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