Manto de água

Manto de água

Domingo cinzento de primavera. Não gosto de domingos cinzentos. Parecem músicas tristes. E amanhã temos de ir trabalhar. Os domingos deviam ser maiores, deviam passar devagar para nos deixar descansar e já agora deviam deixar-nos secar a roupa lá fora.

Já queria arrumar as mantas, mas pelo contrário, tive que ir recuperar o aquecedor. Estamos à imenso tempo nisto do tempo frio. Se pensarmos bem os meses de verão, e calor, duram sempre menos tempo. Estou cansada de vestir casacos. São sempre os mesmos. Já não gosto das camisolas de lã. Já não quero calçar botas. É tudo muito aborrecido.

Há um manto de água lá fora. É tão improvável alguém ter vontade de sair à rua como a Ana Moura e o Agir fazerem um dueto. Mas eles fizeram. E o resultado não me sai da cabeça num dia como este. Raio da música. É tão triste. E mesmo assim gosto dela.

E então, alguém arrisca sair de casa? Ou vão meter a massa no forno para comer bolo quentinho ao lanche?

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