Roteiro para um fim-de-semana no Porto

Roteiro para um fim-de-semana no Porto

No século XV, o Infante D.Henrique pediu às pessoas que lhe entregassem a melhor carne que tivessem. O povo ficou apenas com as tripas. Sendo a única coisa que lhes restava para comer, criaram as famosas tripas à moda do Porto. É por isso que os portuenses hoje são conhecidos como tripeiros.

Para aproveitar o fim-de-semana inteiro nesta cidade do norte do país convém ir ainda sexta à noite. O caminho de Lisboa até ao Porto é bem fácil e sensivelmente em três horas estamos lá. O avião também é uma excelente opção, pois os preços são praticamente o dinheiro que se gasta em portagens, e em termos de tempo compensa. No entanto, esta opção só é viável se não forem precisar de carro lá, claro.

Eu já tinha estado no Porto, há alguns anos atrás. Mas desta vez fui vê-lo de maneira diferente. Em modo turista. No sábado de manhã comecei o itinerário com um belo Brunch. Já queria experimentar há algum tempo e acabou por ser no Porto. Foi no BB Gourmet. E enchi-me de ovos mexidos, panquecas, croissants, mini hamburgueres, croquetes, quiches, panados, bolos, frutas e tudo o que quiserem imaginar.

De barriga cheia, estava tudo pronto para aguentar o passeio que aí vinha. Comecei pelo Mercado do Bolhão, mesmo ali ao pé da pastelaria. Sabem a origem deste nome? No local existia antigamente, um extenso lameiro, atravessado por um regato que ali formava uma bolha de água. O “bolhão” vem daí. O espaço é mesmo uma coisa tradicional, com cachecóis da seleção nas paredes e preços, escritos à mão, num pedaço de cartão. É um sítio familiar, com produtos frescos onde as pessoas sabem em que banca vão comprar. É um local com antiguidade, um clássico da cidade, que vende tanto panos de cozinha, para limpar os pratos, como galos de Barcelos e vinho do Porto.

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Descendo a rua fui a um dos locais onde mais queria voltar a entrar. A livraria Lello. É uma das mais bonitas do mundo e ficou conhecida depois de se saber que foi nela que J.K.Rolling se inspirou para fazer o castelo de Hogwarts. Aliás foi no Porto que a autora se inspirou para escrever vários pormenores da história. Fãs de Harry Potter, como eu, preparem-se que o Porto é um mundo de fantasia.

Então parece que a J.K.viveu e deu aulas no Porto durante o tempo que Harry Potter era apenas um manuscrito. Diz-se que foi nas mesas do café Majestic que escreveu várias páginas e que foi nas capas dos universitários que se inspirou para fazer as fardas da escola de magia. A mim pareceu-me até mesmo que certas ruas do Porto são muito parecidas à descrição das ruas da Diagon Alley.

Mas voltando à livraria Lello. Após ganhar fama, as filas começaram a aumentar de uma maneira parva. Tentaram contornar a coisa com um pagamento de quatro euros de entrada. O facto é que continua a haver fila e uma carrada de gente dentro da livraria que tenta tirar fotos na escadaria vermelha. Eu adoro livrarias. Ir a esta é um prazer e um fascínio enorme para quem aprecia livros e ainda para mais adora Harry Potter.

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Daqui segui para a zona da Torre dos Clérigos. É uma igreja e no cimo é um miradouro para a cidade. Maioritariamente quem a visita são estrangeiros. Mas eu resolvi ser turista e subir até lá cima. É de ficar sem fôlego pois a escadaria é bastante antiga e estreita sendo preciso parar a meio para decidir se passam os que estão a subir ou os que estão a descer. Frequentemente nestes momentos há sempre alguém que pergunta…”ainda falta muito?” Não. Está mesmo quase.

O que me fascina nesta zona são os prédios antigos, as fachadas, as construções. As casas no Porto são todas muito estreitas de largura e altas porque antigamente o IMI era pago consoante a largura da casa. Muito interessante. Decidi fazer o resto do percurso de Tuk Tuk. Nunca tinha andado cá em Lisboa, aproveitei para juntar o útil ao agradável.

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A viagem de Tuk tuk começou daqui para a Avenida dos Aliados, a principal artéria da cidade, que foi assim nomeada para homenagear os heróis da 1ª Guerra Mundial. Aqui são feitos os desfiles e festas académicas e é aqui que o FCPorto comemora quando ganha o campeonato (mas isso era d’antes, agora o que está a dar é o Marquês de Pombal, se é que me entendem.)

Fui passando pelos principais ícones desta cidade nortenha tão característica. A estação de São Bento, a Rua de Santa Catarina, o Café Majestic, até chegar ao ponto alto que é a zona da Ribeira com o rio Douro como companhia. Hoje em dia esta é uma zona cheia de restauração, hotéis recuperados e turistas aos montes.

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Daqui da Ribeira temos uma vista privilegiada para o lado de Gaia. Porto e Gaia estão separados pela Ponte D.Luis. Esta Ponte D.Luís não tem na sua tabuleta o “D.” Apenas diz Ponte Luis. Contam as histórias que no dia da inauguração o rei não apareceu e por isso mesmo as pessoas, indignadas, não o quiseram homenagear na tabuleta. Mas lendas são isso mesmo, só lendas. Daqui fui até aquele ponto branco, o miradouro da Serra do Pilar para ver a vista para o lado contrário.

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Passando a Ponte para o outro lado, na Serra do Pilar lembro-me da música do Rui Veloso. Daqui a vista é ainda mais incrível.

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As Caves de Vinho do Porto são todas do lado de Gaia porque é uma zona mais húmida para conservar o vinho. Fui fazer uma visita e provar o vinho. Prefiro os mais doces.

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Para jantar escolhemos o restaurante Cruel cujo menu é de rir. É assim, eles têm três menus diferentes: o cruel, o cauteloso e o medroso. Depois lá dentro consoante a categoria há iguarias como bolas de berlim com queijo, cogumelos alucinogêneos ou orelha de elefante. Vá, acredita e come quem quiser. É um conceito muito engraçado e é mais divertido pela forma simpática como somos atendidos.

 No dia seguinte aproveitamos para conhecer os Jardins do Palácio de Cristal junto ao pavilhão Rosa Mota. É um belo sítio para passear, tirar fotografias e…qualquer corredor acharia que é um óptimo sítio para correr.

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De seguida fomos ao Parque Serralves. Merece bem uma visita demorada mas começou a chover assim que meti os pés lá dentro e foi impossível continuar.

Adoro fins-de-semana de “vá para fora cá dentro”. Adoro fins-de-semana de passeio, de conhecer coisas novas. O Porto foi considerado este ano como melhor destino europeu. Este Porto que visitei agora é diferente do que conheci há uns anos. Está renovado, melhorado, de cara limpa. Mas mantém a história e autenticidade. Este Porto está cheio de sítios novos, modernos e alia a isso a toda a sua tradição.

O Porto está melhor, surpreendeu-me. Adoro o Porto e o seu misticismo, os seus segredos. Adoro as tradições, a história, as pessoas. Adoro os prédios, as cores, as ruas. A ponte e o rio. Tão diferente da minha capital adorada. Podiam bem ser marido e mulher, Porto e Lisboa. Eles ficam bem juntos.

1 Comente

  • Catarina Gralha
    26 Março, 2017 18:31

    O Porto tem muito encanto, não tem? Adoro as suas ruas, os seus edifícios… É certo que tenho uma paixão enorme pela “minha” Lisboa, mas o Porto também é especial. E sim, fins-de-semana de “vá para fora cá dentro” são maravilhosos!

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