Carta à Andreia quando era criança

Carta à Andreia quando era criança

Olá Miúda,

eu sou tu. Mas um pouco maior. Não na altura que isso não vais crescer muito, digo-te já.

Aqui de 2017 venho dizer-te que és uma criança feliz. Podes brincar e sorrir à vontade. Da infância à adolescência, vais viver sem grandes preocupações. Por isso não te chateies demasiado quando o desenho que queres fazer não resulta à primeira e tens de o apagar. Na vida vais ter de fazer a mesma coisa várias vezes por isso não te apoquentes muito porque mais cedo ou mais tarde o desenho vai ficar impecável. Vais acabar por conseguir. Não te stresses quando pintas fora dos riscos. Eu sei que gostas de fazer tudo perfeitinho, mas vão acontecer alguns deslizes de vez em quando e isso que vai fazer mexer a tua vida.

Sê positiva mais vezes, não te deixes consumir pelo negativismo só porque é mais fácil. Quando pensares que não consegues fazer alguma coisa, esquece, consegues! Tu és capaz de fazer coisas incríveis que imaginas. Acredita mais em ti. Ah, e continua a brincar aos cabeleireiros, aos professores e com as tuas pequenas panelas, um dia vai dar-te jeito quando te quiseres armar em saudável.

Não percas oportunidades quando elas surgirem. Não deixes passar coisas em branco. Isto serve para as relações que deves cortar, para as amizades que deves fazer ou mesmo para a camisola que queres comprar mas deixas para depois. Amanhã quando lá voltares à loja já não vai haver o teu número.

Diz o que tens a dizer, nunca deixes de o fazer, mas por vezes se tiveres que esperar o momento certo, espera. Analisa, observa, sê crítica. Elabora mecanismos para teres mais paciência, estou certa que ela te vai faltar muitas vezes e será a responsável pela maior parte dos teus erros.

Não faças as coisas só por fazer e muito menos para despachar ou agradar alguém. Pensar nos outros é sinal de bom carácter mas não quando pode significar que te anules a ti. Pensa duas vezes, pondera, estuda. Mas não hesites demasiado na tomada de decisões. Encontra o equilíbrio. Pedir o equilíbrio é o mesmo que pedir calma mas de uma maneira mais suave. Talvez assim aceites melhor.

Lembra-te de dar um pouco mais de afecto. Sê a pessoa que os outros querem ter por perto. Sê alguém de quem se lembrem quando precisam de encher balões para a festa ou para cantar no karaoke. Não uses saltos porque vão todas usar. Não tentes gostar de coisas só porque todos gostam. Tu és tu. Dá-te liberdade. Permite-te chorar se assim o achares necessários mas acima de tudo faz do bom humor e da capacidade de rir a tua melhor arma. Não leves nada demasiado a sério. No final do dia as coisas serão mais leves. Continua a brincar. Não tem mal nenhum jogares às escondidas com vinte anos (desculpa ser spoiler do teu futuro, mas vais fazê-lo).

Não sejas normal, ser normal é uma seca.

Beijinhos,

Andreia

Deixe uma resposta