Passadiços do Paiva | 6 dicas

Passadiços do Paiva | 6 dicas

Sempre gostei de ir para o Norte. Desde pequena que lá vou. Mas as paisagens mudaram. Quer dizer, naturalmente as aldeias típicas continuam a ser as aldeias típicas, por onde o tempo não passa, mas há sítios que mudaram muito. O Norte ficou moderno. E ficou na moda.

Decidi ir visitar os Passadiços do Paiva porque além de ser uma zona que eu desconhecia agradava-me o facto de poder fazer uma caminhada no meio dos tons naturais da serra. A ideia inicial era fazer o caminho para lá e depois voltar para cá. Tá bém! Vou-vos já adiantando que não foi isso que aconteceu.

Os Passadiços têm duas entradas, a Espiunca e o Areinho. Eu entrei pela Espiunca. Fui os primeiros quilómetros na boa a tirar fotos e a aproveitar o belo espetáculo natural que aquilo proporciona. A sério. É mesmo muito bonito. Está ali um trabalho muito bem feito. Aproveitar o que a serra tem de melhor para criar um sítio de passeio é talvez a ideia mais simples e mais conseguida dos últimos tempos. Vamos andando num corredor de madeira com o rio Paiva ao lado e serra de pano de fundo. Fiz o caminho com a cabeça livre e limpa. Tal como quando estou a correr, não pensei em grande coisa. E a beleza está também aí. No facto de nos conseguirmos abstrair totalmente de tudo o resto e nos focarmos só ali, naquilo que estamos a ver. Na nossa natureza. É incrível tudo aquilo que temos disponível aqui mesmo no nosso belo país.

Há várias sombras que permitem descansar em alturas que o calor aperta mais. A meio caminho há uma ponte suspensa e há uma espécie de praia fluvial onde é costume as pessoas se refrescarem e fazerem o seu almoço. Muito agradável aquele lugar onde só molhar os pés já sabe bem.

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Mas vamos aos factos. São oito quilómetros de Passadiço e eu achava que numa manhã fazia aquilo para lá e para cá. Caraças, nem é assim tanto. Eu seria perfeitamente capaz. Eu já fiz corridas de 10 quilómetros, não seriam agora mais seis a andar que me iam fazer recuar. (Hum, hum) Era, portanto, uma projeção optimista de levar dezasseis quilómetros nas pernas. Oh, tranquila da vida, lá ia eu andando como se aquilo fosse tudo meu. Nem mesmo as pingas de suor que me caiam cara abaixo me estavam a demover.

O que me assustou verdadeiramente foram as escadas que comecei a ver ali a dois quilómetros do fim. A dois quilómetros do fim, dos primeiros oito quilometros, perceba-se. Aquilo eram escadas serra acima. A pessoa levantava o pescoço e só via escadas. Fiz uma pequena pausa (pequena, lol)  numa sombra a fingir que consultava o facebook, e o intagram, e o pinterest, e o mail e tudo o que pudesse fazer…mas o facto é que não havia rede que me valesse. Quando cheguei ao final daquela subida do demónio percebi. Devia ter começado o percurso do lado oposto e assim estas escadas teriam sido feitas a descer! Nesta altura da constatação fiquei um bocadinho histérica. Mas tudo passa. De seguida, para chegar ao final havia mais escadas, essas sim a descer. Mas mesmo aí percebi, tarde demais, que se tivesse vindo ao contrário, essas escadas, ok, teriam sido a subir mas esse teria sido o meu primeiro quilómetro, e não o último, e depois era descer serra abaixo.

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Estão a ver isto?!

Foi neste ponto que decidi que voltar para trás estava fora de questão. A minha camisola estava um pouco molhada de transpiração (sim, parece que afinal as senhoras também transpiram, raios parta!) e eram duas da tarde. As minhas pernas estavam impecáveis mas estava muito calor àquela hora e a única diferença na paisagem seria que ela ia ficar do lado direito em vez de do lado esquerdo.  Apanhei o táxi para voltar para o outro lado. Não me enervem, estavam montes de pessoas a voltar de táxi. Hum!

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Deixo umas dicas básicas para quem vai aos Passadiços:

  • Começar o percurso pelo Areinho (ao contrário do que eu fiz) pois as escadas no início serão mais fáceis de descer do que de subir ao final dos oito quilometros, percebem a ideia? Ah, e não é preciso voltarem tudo para trás se não quiserem. Há táxis e tuk-tuks para vos ajudar no regresso ao ponto de partida. Ninguém precisa de saber.
  • Levar calçado confortável. Ténis é a melhor ideia. Nada de sandálias chiques da moda com os dedinhos de fora, mais vale levar calçado apropriado e acabar o dia sem bolhas.
  • Levar água. Bastante água. E comida. Não levem propriamente feijoada à transmontana e lembrem-se que tudo o que levarem terão de carregar às costas. Uma sandocha, barritas e frutas, por exemplo. Durante a semana o bar a meio do percurso está fechado. Só estão abertos os bares nas “pontas” do início e do fim.
  • Levar uma toalha (leve), chinelos e fato de banho. Há uma pequena zona que permite ir a banhos no rio. E uma cascata bem bonita. A água não é potável mas não é para beber, é para refrescar o corpo, ok?
  • Levar protetor solar. Tipo nível 100. E se possível não façam esta caminhada em Agosto, please gente.
  • Lembrem-se disto: um quilómetro em linha reta não é igual a um quilómetro com curvas ou escadas.

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Quando estiver menos calor, vão visitar este nosso pequeno paraíso que estas fotos não são nada comparado ao bonito que é passar por lá e ver ao vivo e a cores.

5 Comentários

  • Maria
    20 Junho, 2017 19:54

    É algo que quero muito fazer e vou ter em conta o que disseste, com certeza! Obrigada pelas dicas :)

    • Andreia Moita
      20 Junho, 2017 20:52

      Não deixes de ir é brutal! Beijinho :)

  • Joana
    20 Junho, 2017 21:53

    Quando estiver mais fresquinho ( e com mais força nas perninhas) vou. É realmente bonito, e as tuas fotografias realçam isso.
    Beijinhos
    Joana
    http://www.curlyhairandlipsticks.wordpress.com

  • Classe Cappuccino
    21 Junho, 2017 16:24

    Ando para os fazer há um tempão

    • Andreia Moita
      23 Junho, 2017 9:55

      Deixa passar o calor que tem estado e vai lá fazer uma visita, é mega!

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