Roteiro de 2 dias em Copenhaga

Roteiro de 2 dias em Copenhaga

Finalmente chegou a hora de falar da minha viagem de Inverno. Foi quando estavam trinta graus, aqui em Lisboa, no final de Outubro, que fui viver o Inverno dos países nórdicos. Na mala levava casacos e cachecóis e uma vontade imensa de saber o que se passa em Copenhaga, capital da Dinamarca.

Não pretendo mentir, este passeio foi feito todo com a força das perninhas. E quero começar por aqui. Não utilizamos nenhum transporte e percorremos tudo a andar, que é a nossa maneira favorita de conhecer e viver o espírito de uma cidade. Quando falo em andar é andar a pé mesmo à bruta. É coisa para ter de parar para fazer pequenos alongamentos no meio da rua, para relaxar os músculos. É coisa para meter os pés ao alto quando se chega ao hotel. Houve um dia em que o GPS registou trinta quilómetros mas não o quis levar a sério.

As primeiras considerações a tecer é que Copenhaga é uma cidade mesmo muito agradável. As ruas estão limpas, são organizadas, as pessoas são civilizadas, educadas e bem parecidas. Nota-se que existe uma qualidade de vida acima da média. As construções são típicas de países a norte e devo confessar que lhes tenho um certo amor. A vida corre tranquila enquanto se deslocam todos nas ruas bicicletas.

Foi depois de ter lido o Livro do Hygge, em Fevereiro, que quis ir a Copenhaga. Porque queria sentir e viver aquilo que estava ali escrito. Senti o hygge quando entrei dentro de um café quentinho, pedi um chá, tirei o casaco e fiquei confortável. Senti o hygge quando vi que a hora de ponta nas ruas era bem mais cedo do que em Portugal. Senti o hygge quando vi um pai ir buscar a sua filha à escola de bicicleta e quando os vi voltar os dois a conversar, com a criança na parte da frente de chucha na boca. Não há stress. Não há preocupação de chegar a casa demasiado tarde e chateado com o trânsito. Há qualquer coisa no ar que se sente, sim, acho que é verdade, ou então quis mesmo acreditar que sim.

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Copenhaga, dia 1

Escolhemos Hotel Wake Up que fica perto da Estação central. É um hotel muito arranjado, agradável, jovem e limpo. Ficámos no último andar o que dava acesso a uma vista espetacular. O quarto era pequeno, mas super funcional. Já há algum tempo que somos fãs de hotéis com este tipo de quarto quase cápsula. Chegámos antes de almoço e nem esperamos para nos meter ao caminho. Foi só o tempo de meter um casaco mais quente e lá fomos nós. Eu gostaria de dizer que íamos de mapa em punho, mas não foi assim. Foi mais de app Sygic Travel no telemóvel, que é isto que dá viajar com um nerd. (Não lhe digam que até gosto de viajar com as app dele, sff.)

De Stroget a Nyhavn

O ponto de partida foi a rua mais movimentada da cidade que é a chamada Stroget. Aquela rua típica em todas as cidades conhecida pelo comércio, lojas e lojinhas de todas as marcas e feitios, caras e baratas. E depois passamos pela Knogens Nytorv, que é uma praça onde se encontra o edifício da Ópera.

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O próximo ponto era o que eu mais queria ver na cidade. Estava ansiosa por chegar a Nyhavn. Esta é a zona mais popular pois é o antigo porto da cidade. O canal é bem ao estilo daquilo que vemos na Holanda, por exemplo, fez-me lembrar os tempos de interrail e a primeira paragem que foi Amesterdão. Actualmente os edifícios coloridos ao redor do canal estão transformados em bares e restaurantes e há um monumento de tributo aos antigos marinheiros dinamarqueses.

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Do Palácio de Amalisnborg à Pequena Sereia

Caminhando pelas ruas chegámos ao Palácio Amalisnborg onde há sempre os guardas fardados de um lado para o outro. Daqui seguimos para a Fonte de Gefun que tem uma igreja que parece saída de filme. A sério, aquilo é mesmo paisagem sem descrição. Foi a partir daqui que percorremos um passeio comprido até chegar à famosa estátua da Sereia. Ela representa exatamente isso, a Pequena Sereia dos contos infantis escrita por Hans Anderson.

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O cenário do moinho e uma história de Outono

Depois daqui continuamos a trilhar os jardins dentro da cidade. Acho absolutamente incrível que haja um espaço verde tão grande dentro de uma cidade destas. Chegámos depois àquela que foi a maior surpresa do dia. Estava encontrado o meu sítio preferido de Copenhaga, o Kastelsmollen. Aqui em Portugal estavam todos a pedir ardentemente o Outono porque nos finais de Outubro ainda estavam trinta graus. Pois bem, nós em Copenhaga, apesar de fervorosos fãs verão, estávamos a sentir em pleno o Outono.

Sabem quando aprendemos na escola a distinguir as estações do ano? Nunca tinha avaliado a verdadeira beleza do Outono. Mas, aqui, neste cenário, percebi porque o amam tanto. As cores. Os castanhos, os vermelhos, os amarelos. Nas ruas, no ar, nas folhas das árvores abandonadas no chão. Foi aqui, neste moinho, que descobri isso.

Depois de passar o “efeito maravilhada” com o que os meus olhos viam decidi ser blogger e eis que resolvi sentar-me no chão de frente para o moinho para a fotografia. Ele bem me avisou que aquilo ia dar asneira, mas eu não acreditei e disse-lhe que as bloggers fazem estas coisas destemidas. É óbvio que além de ficar com as calças molhadas ainda ficaram sujas para o resto do dia. Não interessa.

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Os jardins do Palácio Rosenborg

Como já devem ter percebido, o tempo não nos ajudou com as fotos. O céu estava demasiado escuro para fotos perfeitas. Durante a primeira parte do dia esteve bastante encoberto o que transforma as fotos em algo sombrio e nos impede de guardar em imagens o que realmente estávamos a ver. Já o frio não deixava tirar fotos sem casaco, o que é péssimo, porque pareço um chouriço. Mas no final da tarde as coisas melhoraram consideravelmente. O sol veio ter connosco mesmo antes de anoitecer e a tempo de vermos o Palácio Rosenborg debaixo dos seus raios brilhantes. Vejam só a diferença.

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Copenhaga, dia 2

Voltámos ao sitio onde parámos ontem. O Palácio. E foi daí que começamos o segundo dia pela cidade. Aqui perto há um Jardim Botânico no qual passeamos pela manhã. E depois apanhamos a rua Landermaerket até torre redonda que fica junto a uma zona de comércio novamente.

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Vagueando pela cidade, e parando para fazer alguns alongamentos e distrair as pernas dos quilómetros que já levavam, fomos dar à ponte de mármore e ao museu nacional. Mas desbravando um pouco mais caminho, entramos numa zona mais urbana que percorremos para chegar à zona de Christiania.

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A outra face de Copenhaga: Christiania

Christiania é uma zona bastante longe do centro, mas que eu queria visitar pelo seu carácter diferenciador. É conhecida como uma cidade livre, sendo constituída por uma comunidade independente e com auto gestão e leis próprias dentro de Copenhaga. Nesta pequena área vive uma comunidade designada hippie e o comércio de cannabis é permitido. A cidade de Copenhaga está totalmente organizada e é como se estivesse dividida em comunidades cada uma com a sua ordem. Portanto quem quiser viver a vida louca sabe que dentro dos limites daquela cidade isolada o poderá fazer, sem stress. Até que ponto isto torna melhor ou pior a vida numa cidade não sei, mas é uma bela experiência social, perceber como eles lidam com as diferenças na medida em que a permitem, mas num determinado espaço com leis independentes.

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Os jardins do Tivoli

Ao final do dia conhecemos os Jardins do Tivoli. É uma das jóias da cidade, porque é um parque temático com diversões. Na altura em que fomos estava totalmente decorado para o Halloween. Até mesmo eu que eu não me identifico com a festa das bruxas (apesar de as adorar) fiquei um pouco contagiada de tão bem que as coisas estavam feitas. Neste momento o parque está decorado para o natal, quem me dera ser uma mosquinha, porque gosto bem mais desta época.

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Considerações finais

No dia seguinte partimos para outra cidade no norte da Europa. Espero que tenham gostado desta minha descrição da cidade de Copenhaga. Não pretendo ser exaustiva, nem demasiado descritiva, apenas mostrar-vos um pouco do que conheci daquela que é muita vezes considerada uma das cidades com a população mais feliz. Achei a capital da Dinamarca muito bela. Senti e percebi o espírito hygge. Senti a descontração de quem anda de bicicleta. É um local que se adapta ao estilo de vida moderno do qual eu gosto e com que me identifico, mas é demasiado fria para mim e eu não gosto de luvas, portanto dificilmente lá conseguia viver, por exemplo.

Em breve irei apresentar-vos os sítios bonitos de Estocolmo. Uma cidade encantadora, bonita esteticamente, arranjada e elegante. Mas com um contra de ser ainda mais fria do que Copenhaga!

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5 Comentários

  • Messy Jessy
    20 Dezembro, 2017 10:09

    Opaaaa fiquei encantada! :O
    Adorei este post, quero muito lá ir, 2 dias deu para tanta coisa!

    • Andreia Moita
      27 Dezembro, 2017 8:39

      Sim, eu aproveito muito bem os dias em viagem é sempre a andar, ehehe! No final do dia descanso! 🙂

  • Green
    20 Dezembro, 2017 15:37

    Adorei o teu post e as fotos, sem dúvida que a parte norte da europa não me chama pois detesto frio, mas sem dúvida que devem ser cidades fantásticas que espero um dia conhecer 🙂

  • Daniela Soares
    25 Dezembro, 2017 21:37

    Para mim viajar é uma das melhores coisas da vida por isso não podia deixar de ficar encantada com este post! Também li um livro sobre o hygge este ano e por isso a Dinamarca está obviamenete na minha lista de países a visitar.:p

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

    • Andreia Moita
      27 Dezembro, 2017 8:33

      Quando tiveres oportunidade, vai sim. Este mundo está cheio de sítos hygge!
      Beijinhos

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