Desperdício vs Desapego

Desperdício vs Desapego

Muitas vezes sinto-me confusa. Ouço cada vez mais falar de coisas que devemos fazer para não desperdiçar. E por outro lado ouço falar sobre desapegar e deixar as coisas ir. A nossa consciência é só uma e ela deve ser capaz de distinguir o bem do mal e o certo e o errado. Desperdício vs Desapego, será que têm de estar mesmo um de cada lado?

Como acho ambos os temas importantes decidi fazer uma espécie de combate entre eles: Desperdício vs Desapego. Mas será mesmo que está um cada lado da balança? Será que são mesmo coisas contraditórias? Será que não podemos seguir as duas frentes? Quando estou confusa costumo escrever. E é o que vou fazer hoje. Debater comigo própria estas questões enquanto crio este texto e esperar ficar esclarecida dentro da minha cabeça, depois debater com vocês após a publicação e no final estar pronta para a mudança de casa.

Destralhar vs Arrumar

A arrumação pressupõe que as coisas estejam no seu devido lugar. Que haja uma gaveta para cada modalidade das coisas, uma para as fotografias, outras para os papéis, outra para as tecnologias. Destralhar significa que várias dessas coisas que estão supostamente arrumadas deveriam estar no lixo e não ali. Porque raio arrumo eu agendas desde 2013? Porque carga de água arrumo eu revistas do ano passado? Tenho o sentimento do “vai que faz falta!”. Vai que preciso de ver na agenda o que fiz no dia 3 de Março de 1996. Ou ler um artigo sobre o hi5, numa revista antiga, não é? O mesmo se aplica às roupas que já não me servem. Porque é que as guardo? Vai que um dia volto a ser gorda ou magra e preciso daquela roupa?

Sabendo eu já distinguir estes dois conceitos está na altura de perceber que guardar estes exemplos de tralha só me consomem a vida. Não vou só arrumar. Vou destralhar e aproveitar a mudança de casa para me desfazer destes artigos sem utilidade. Pumba! Vão ser só sacos de lixo libertador.

Desperdício vs Desapego

O “destralhanço” vai muito ao encontro do desapego. Porque quando nos conseguimos abstrair do sentimento de perda (que é o mesmo do “ainda pode ser preciso”) então conseguimos desapegar-nos das coisas e sentir liberdade e leveza por fazê-lo.

Mas é aqui que entra a parte do desperdício. Muitas vezes quando estou a deitar coisas fora penso se não estarei a desperdiçar determinada coisa. Não as revistas nem as agendas, isso são só bens sentimentais totalmente prescindíveis. Aqui estou a falar de coisas que tenho medo de deitar fora porque posso estar a desperdiçar coisas e a deitar fora de forma leviana. E debato-me muitas vezes com esta questão. Se deitar fora determinada coisa e depois precisar dela terei de a comprar novamente e isso é um desperdício de dinheiro por exemplo.

Para resolver esta questão resolvi desapegar-me daquilo que sei, no meu íntimo, ser só uma questão de materialismo sentimental. Quanto ao resto, sempre que tenho duvidas resolvo perguntar a quem vive comigo se será desperdício desfazer-me de determinado tuppwerare guardado no fundo do armário ao pó. Uma segunda opinião pode ajudar.

A conclusão de mil teorias à volta da minha cabeça

Não foi muito difícil de perceber por mim própria, depois de pensar um pouco, que estou a ser demasiado dura. Que estou a querer dar um nome às minhas acções para me justificar a mim própria. Que tenho que ser mais leve nas minhas atitudes para comigo. E que não preciso justificar a ninguém o que escolho guardar e o que escolho pôr de lado. Quem manda sou eu!

Se encontrar uma coisa e exclamar “meu deus, eu adoro isto” e quiser s voltar a usar, então vou usar. Seja uma camisola antiga, uma panela velha ou o um diário de há anos.  Não tem mal nenhum não nos desfazermos de tudo. Não é preciso sentir-me mal por isso.

Mas, se por outro lado, não quiser, posso dar essa coisa a alguém que queira, se estiver em condições, ou mandar fora se não estiver, e isso será tanto destralhar como desapagar. Mas mais do que isso, será também uma vitória e uma libertação. Sinto-me bem ao ver a minha casa e a minha vida mais vazia de materiais sem sentido. Sinto-me feliz por ter conseguido limpar áreas. É que sinto mesmo. Quem sabe a felicidade que é ter uma gaveta vazia, meta o dedo no ar. (As gavetas são como a loja do chinês, têm tudo lá dentro. Quando não se sabe onde meter uma coisa, vai para a gaveta. Fecha-se e ninguém vê. (Até ao dia em que vais mudar de casa.)

No final o importante é saber distinguir as coisas que nos fazem sentido e que nos fazem sentir bem e que nos trazem coisas positivas das coisas que não nos acrescentam absolutamente nada e só criam pó, acumulação e falta de espaço. Desperdício vs desapego não existe. Mudar de casa está a fazer-me bem.

 

3 Comentários

  • Green
    10 Maio, 2018 12:00

    Também sou bastante pegada a esse tipo de coisas e custa-me deitar fora aquela agenda que não serve para nada mas que é tão gira e guarda tão bons momentos, ahahah
    Sou muito parecida contigo, mas de vez em quando tem mesmo de ser 🙂

  • Monica
    10 Maio, 2018 13:11

    Na minha opinião, desapegar é saberes que tens algo só pelo sentimento. Destralhar é deitares fora (doar, vender) coisas que não usas, não fazem falta e sabes que não voltas a usar.

    No meio de tanta “coisa” já me desapeguei de algumas coisas para conseguir destralhar. E já destralhei para não me apegar (nem que seja à ideia) 😛

  • Susana Miranda
    12 Maio, 2018 19:00

    Para mim, só se torna mais claro o desapego na hora de arrumar. É quando preciso de arranjar espaço para algo que realmente percebo se é ou não indispensável ficar com aquilo. Agenda de 1991? Ainda a tenho.. com um código inventado por mim, que ainda sei decifrar 🙂 Ocupa pouco espaço, faz parte da minha vida, não é um desperdício! Quando tiveres que arranjar espaço na nova casa para tudo, haverá sempre uma coisinha ou outra da qual te vais desapegar… custa, sim! Mas as memórias são criadas todos os dias. Divirtam-se

Deixe uma resposta