Seis filmes e alguns aviões

Seis filmes e alguns aviões

Há quem não goste de andar de avião. Eu gosto. Não me aflige a aterragem e o barulho não me desconforta. Também não me aterroriza a descolagem, pelo contrário. Adoro a sensação da partida. O frio na barriga que me dá o prazer de voar e ir. Nem mesmo a turbulência me perturba. Não tenho medo. Aborrece-me mais a dor de ouvidos que às vezes sinto e o tempo que lá passo dentro sem coisas para fazer.Às vezes gosto de não fazer nada. Mas convenhamos que oito horas dentro de um avião é demasiado tempo para não fazer nada. A viagem à Tailândia foi a que demorou mais tempo, para mim, até hoje. São cerca de oito horas até ao Dubai e depois mais seis até Banguecoque. É muito tempo para desperdiçar.

No avião costumo sempre aproveitar para meter a leitura e os sonos em dia. Mas desta vez fiz ainda mais do que isso. Como em casa prefiro ver séries a filmes, estou bastante em falta com algumas películas. Aproveitei esta viagem para ver uma data de filmes que os aviões disponibilizavam.

Jumanji

Um grupo de miúdos é transportado para dentro de um jogo e transforma-se nas personagens. Cada um deles desempenha uma pessoa completamente diferente no jogo daquilo que é na vida real, o que torna as coisas bastante mais interessantes. Eles têm mesmo de jogar e chegar ao fim se querem sair de lá….vivos. É que pode parecer uma brincadeira mas eles têm vidas mesmo a sério e têm de as manter se não querem chegar ao game over. Está muito giro o filme, fartei-me de rir com as passagens cómicas e com as interpretações dos actores. Recomendo, sobretudo às pessoas da minha geração, que se lembram desta história que víamos nos bonecos nas manhãs de fim-de-semana.

The Greastest Showman

Sempre que vejo um musical invade-me um calor enorme. Ganho uma espécie de formigueiro nos pés e vontade de deslizar e cantar. Naquele momento apeteceu-me muito levantar do meu lugar no avião e desatar a correr pelos minúsculos corredores. E dar meia volta. E uma pirueta. E cantar. E fazer um flash mob. Tinha tanta graça. E eu teria tanto jeito. Quão louco seria isto, hein?

Este filme fala sobre os desafios do ser humano e da dificuldade que é ultrapassar o obstáculo que é sermos diferentes. É preciso manter o foco e acreditar que a nossa diferença é a nossa melhor característica. A minha parte preferida é com o Zac Efron e a sua amada na história, que é trapezista, quando cantam”Rewrite the stars”, a cena está mega bem feita. Vejam aqui, é lindo!

O filme tem um cenário magnífico, grandes interpretações, tem uma história e uma mensagem mas para mim vale muito mais ao nível das músicas. Já fui à procura da banda sonora e já vou decorando algumas músicas. São absolutamente fantásticas e inspiradoras, mesmo à filme. “This is me“, é uma música muito forte que diz que não temos de ter medo de nada e “Million Dreams” fala sobretudo do poder de sonhar pelo mundo que queremos para nós. A sério, ouçam. Está no youtube, no spotify, em todo o lado!

The Shape of Water

O filme que ganhou o Óscar de melhor filme. É um história de sensibilidade muito mais do que uma história de amor. Trata da relação entre uma mulher muda, com bastante mais capacidade de sentir do que qualquer outro ser humano, e uma criatura de difícil identificação, que está presa num aquário, num laboratório, e que ela fará tudo para salvar. Reconheço todas as formas de sentir, mas não fui capaz de interpretar muito para além disto que aqui escrevo e para dar a minha opinião sincera este filme pareceu-me só estranho.

Me Before You

A história de um homem que tinha tudo e sofre um acidente. Fica tetraplégico. Só isto já chega para perceberem o que vem ai. Mas não é assim tão básico. Não é só uma história de superação. É muito mais do que isso. Ele resiste mas permite-se voltar a amar. E deixa-se ser amado. Pela melhor pessoa do mundo. Mas nessa altura é tarde porque nem o amor o fará voltar atrás na sua decisão. Há coisas muito difíceis na vida.

Acredito que era a única no mundo que ainda não tinha visto este filme, mas ainda assim não quero ser spoiler. É um filme muito rico que nos oferece muitas coisas. O final é um misto de sentimentos. E quando um filme te mete em conflito contigo própria e te deixa a pensar nele vários dias, só pode ser bom. Adorei esta história. Tinha de ver um filme triste no meio das férias, não é? Parece que são estes filmes que nos trazem à tona, às vezes.

Ingrid Goes West

Ingrid é uma miúda obcecada com as redes sociais e com o sucesso rápido, fácil e imediato que elas proporcionam. Mas quantas e quantas vezes é que as redes sociais são uma mentira? Quantas pessoas são tristes atrás do ecrã e felizes à frente dele? Qual é o poder e a responsabilidade dos influenciadores e mais… o que é exatamente isso de ser influenciador?

Este é um dos filmes mais actuais que vi nos últimos tempos. Porque é assustador pensar que existem mesmo pessoas assim capazes de fazer o que fez a Ingrid. Porque o filme mostra o que acontece nestes tempos do sucesso fácil mas profundamente desinteressante e escondido atrás de vidas irreais e frustadas. Vocês têm de ver este filme, mesmo que não sejam bloggers, nem metam fotos no instagram. Não interessa. Na era em que vivemos é muito importante perceber como a exposição desmedida pode afectar a mente humana.

Toda a gente gosta de ver os likes crescer nas suas publicações. Não sejamos hipócritas. Mas ao menos admitamos isso com a consciência e sabedoria de que não será isso que nos vai alimentar como pessoas. São os momentos que vivemos e as pessoas que temos e aquilo que somos que valem a pena. É aquilo que somos quando estamos offline.

Boyhood

Este filme acompanha os anos de crescimento de uma criança e de uma família inteira. Mason é a personagem principal e o filme centra-se na sua vida. Desde a criança, que não faz os trabalhos de casa, até à adolescência e à entrada na faculdade. Pelo meio, os desaires de uma vida familiar complicada e das relações entre pais, irmãos, amigos e primeiros amores. Não achei grande complexidade neste filme, sinceramente. Confesso que não encontrei a sua mensagem. Achei-o demasiado longo e com diálogos muito desinteressantes e silêncios angustiantes. Fui só eu?

Percorri aqui muitas categorias de filmes. Uns mais cómicos, outros verdadeiros dramalhões, até às grandes lições de vida. Uns mais antigos, outros mais recentes e alguns bem actuais no que toca às histórias. E vocês já viram alguns destes filmes? Qual é a vossa opinião acerca deles? Ficaram com curiosidade sobre algum?

3 Comentários

  • Green
    4 Maio, 2018 21:24

    De todos os que aqui publicaste só vi “The Shape of Water” e “Boyhood”, confesso que nenhum dos dois encheu totalmente as minhas medidas, além de achar que ambos são bons filmes.
    Fizeste muito bem em aproveitar assim a viagem, que certamente até o tempo passou mais depressa 🙂

    • Andreia Moita
      9 Maio, 2018 10:48

      Exatamente os dois filmes que também não me tocaram daquela forma!

  • Vânia Duarte
    9 Maio, 2018 11:03

    eu adoroooo a descolagem, de todas as vezes que viajo fico com um mega sorriso quando estamos a descolar, adoro aquela sensação de ficar colada à cadeira 🙂 Dos filmes que colocaste aqui já vi o Ingrid Goes West que é assustador mas que adorei e o Boyhood que sou da mesma opinião, acho o filme longo, chato e sem grande mensagem.

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