Sair à noite depois dos 30

Sair à noite depois dos 30

Já aceitei o facto de ter 31. Fazer 30 foi difícil mas agora ter 31 não é dramático. No entanto, há uma série de coisas que se alteram depois de se ter esta idade. O acto de “sair à noite” é uma delas.

Como faço anos no verão a primeira coisa que reparei foi naquilo que muda na praia. E já registei isso aqui. Ir à praia depois dos trinta merece um estudo sociológico porque já não te basta uma toalha e um bronzeador. Precisamos chapéus de sol, geleiras, cremes (diferentes para várias partes do corpo) cadeiras e outros adereços que nos denunciam a idade.

Sair a noite é outra coisa que me tenho vindo a aperceber que muda consideravelmente drasticamente depois desta idade do demónio. Eu gosto. Mas já é uma coisa de vez em quando. E de preferência no verão. Que no Inverno temos que levar casaco porque está frio na fila. Analisemos criticamente, então, as coisas que acontecem, nas várias idades (ou fases da vida), quando vamos, alegremente, sair à noite.

Sair à noite aos antes dos vinte:
  • A melhor fase, porque levamos ténis e podemos entrar em qualquer lado porque as “discotecas” que frequentamos só servem mesmo para pessoas desta idade.
  • Os nosso pais vão-nos buscar portanto não há problemas para saber quem vai conduzir. (Não percebo os miúdos de hoje que não querem que os pais os vão buscar! Era bem fixe).
  • Demoramos dois séculos e meio a arranjar-nos e ainda telefonamos às amigas a perguntar o levam vestido. É uma época de grande entusiasmo, em que de facto vivemos todo o dia a pensar… na noite.
  • No dia seguinte está tudo tranquilo, como se nada tivesse acontecido.
Sair à noite depois dos vinte:
  • Achamos que precisamos de sair de saltos para seremos aceites e lá vamos nós, em esforço, mas aguentamos a noite toda erguidas que nem damas.
  • Dançamos e bebemos até querer e no dia seguinte dormimos até mais tarde e estamos impecáveis.
  • Dá-se a questão das boleias e de saber quem é que vai conduzir desta vez, normalmente calhando sempre ao mesmo.
Sair à noite depois dos trinta:
  • Começamos a noite muito mais tarde. Talvez até façamos uma pequena sesta à tarde para precaver aquele soninho que vamos ter lá para a uma da manhã.
  • Vamos todos contentes a pensar que vamos reviver tempos antigos. Ah, esta noite é que vai ser! E acabamos no dia a seguir a dizer que “nunca mais”.
  • Demoramos um bocadinho a escolher o sítio. Vamos ouvir as músicas dos anos oitenta, onde vão estar pessoas ainda mais velhas dos que nós? Ou vamos para as discotecas da moda, onde estão as crianças que saem pela primeira vez? Somos millennials, gostamos do antigo Summer of 69, queremos ouvir Spice Girls e tudo bem quanto ao novo reggaetton da moda. Gostamos de tudo, entendem?
  • Os sapatos de salto deviam ser abolidos da terra. E são factor que nos obriga a demolhar os pezinhos em água quente às seis da manhã, quando chegamos a casa. Isto se aguentarmos a noite toda e não decidirmos descalçarmo-nos no meio da pista. Aos trinta quero que se lixe.
  • Quando nos lembramos da última vez que saímos e do quão mal passámos…deixamos os saltos em casa e dançamos de ténis porque já ninguém acredita que somos menores de idade e podemos entrar de qualquer maneira mesmo. Aos trinta percebemos que não é sair de saltos que dá poder e confiança. É sair de ténis.
  • Estamos a dançar em rodinha com o nosso grupo muito bem da vida, mas já nos irrita sempre que alguém que acha que pode passar no meio da roda. Como se nós fossemos parte de um corredor. As pessoas não ficam sossegadas a dançar no seu sitio. Há sempre alguém que quer passar.
Em jeito de conclusão…aquele convívio caseiro que nos salva

E assim segue a nossa vida, de pessoas de trinta. Contrariamos a idade e continuamos a sair. de vez em quando e tentamos não ser os primeiros amigos a ir embora. Mas… no fundo todos já preferimos aquele convívio caseiro. E não é segredo. Porque aí podemos estar de copo na mão na mesma, mas nenhum amigo do coração se vai importar que ‘agente’ durma por lá, por causa, claro, do cansaço da idade.

Quem concorda? Digam o que sentem. E depois digam a idade também para eu perceber o nível de entusiasmo.

5 Comentários

  • Xana Nunes
    23 Julho, 2018 11:01

    Ahahahahaahhahaha Ai miga, sempre grandes posts que escreves e grandes gargalhadas que eu dou deste lado!
    A minha versão:
    Sair aos 14: quero e não posso
    Sair aos 16: quero ficar ate mais tarde mas às 2h a minha mãe vem buscar
    Sair aos 20: vamos embora!
    Sair aos 23: Fico até mais tarde mas quero que “a minha mãe” me venha buscar porque “estou com o grau”
    Sair aos 27: saio com pouca vontade, mas quando chego ao local do crime até é porreiro, mas pouco tempo depois já estou a pestanejar muitoooo de vagar que é como quem diz: fecho os olhos e adormeço ahahahahahaha

    • Andreia Moita
      26 Julho, 2018 10:11

      Que máximo. Adoro esta tua síntese, tão boa, tão boa!
      Obrigada Xana, querida, por me acompanhares e partilhares experiências!!

  • Green
    24 Julho, 2018 14:01

    Eu não teria relatado melhor a experiência. De facto só queremos verdadeiramente as coisas quando não as podemos ter, que é o que acontece na adolescência quando queremos sair e os pais não deixam, ou queremos ficar até mais tarde e não podemos. Mas depois vamos envelhecendo e quando podemos estar até nos apetecer, já nem apetece ir, tal e qual!

    • Andreia Moita
      26 Julho, 2018 10:10

      É exatamente isso. É como a música “só quero ir aonde não vou, só quero estar aonde não estou”. ehehe

  • Vânia Duarte
    31 Julho, 2018 11:58

    ahahahah confesso que eu nunca saí à noite de saltos, acho que era coisa para correr mesmo muito muito mal. O que eu noto que mudou foi a recuperaçao, antigamente estava tudo ok, agora se for sair até de manhã na sexta, na segunda ainda me estou a queixar ahahhahahahha.

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