Páginas salteadas | O Principezinho, uma receita de amizade

Páginas salteadas | O Principezinho, uma receita de amizade

Quando fizemos o lanche do primeiro aniversário do projecto pedimos aos presentes para nos ajudarem a escolher o livro deste mês de Agosto. A história que ganhou o nosso coração foi “O Principezinho”.

E a sugestão foi das miúdas do Armazém de Ideias Ilimitada. “O Principezinho” vai ser o próximo que vão levar para o seu clube de leitura, em Setembro, e então nós, antecipando-nos, trazemos as receitas já este mês. E vocês se ficarem muito inspirados podem sempre participar no clube, as informações estão todas no blog delas.

O Principezinho, o rapaz do asteroide

A história mais simples e ao mesmo tempo mais emotiva e cheia de ensinamentos que já li. Como é que é possível tirarmos tantas lições de conduta de um livro escrito de maneira tão descomplicada? “O Principezinho” é considerado um livro infantil. Pois não me parece de todo que seja. Há coisas ali que os adultos deviam ler.

– Adeus – despediu-se a raposa. – Agora vou te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos (…) – Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante. (…) 

O livro mais cativante do mundo ensina-nos que somos responsáveis por aquilo que cativamos. E que para fazer amigos é preciso paciência. Mas que é a melhor coisa do mundo.

– Só conhecemos o que cativamos – disse a raposa – Os homens deixaram de ter temo para conhecer o que quer que seja. Compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens deixara, de ter amigos. Se queres um amigo cativa-me (…) – Os homens já não se lembram desta verdade – disse a raposa. – Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa…”

Foi precisamente na amizade que me baseei para escolher a receita que para mim melhor combinava com este livro. E já vos conto de seguida.

Receita de bacalhau à brás

  • Uma cebola
  • azeite
  • 4 postas de bacalhau
  • batatas fritas aos palitos (só gosto das de pacote e o objectivo da receita é que seja fácil)
  • três ovos
  • noz moscada e outras especiarias

Cozer as postas de bacalhau e posteriormente desfiá-lo. Picar grosseiramente a cebola e refogar. Juntar noz moscada e outras especiarias que gostem. Adicionar o bacalhau desfiado e as batatas aos palitos. Bater três ovos e juntar ao preparado anterior de modo a unir o bacalhau às batatas e com cuidado para o ovo não virar ovo mexido.

bacalhau à brás

Explicação da receita

Quando era adolescente e comecei a ir de férias com os meus amigos era engraçado ver-nos às compras. Todos habituados aos preparados das mães, ninguém sabia cozinhar. Mas nunca fomos de nos ficar a alimentar a sandes portanto aprendemos a receita de Bacalhau à Brás que nos pareceu bastante fácil. Só que a partir daí fizemos esse prato vezes sem conta. Já sabíamos que sempre que íamos estar juntos, haveria Bacalhau à Brás.

Nesta altura eu ainda não tinha lido esta história. Ao contrário da maioria das pessoas eu li o livro em adulta. Numa conversa com as minhas colegas no trabalho descuidei-me e disse que nunca tinha lido a história do rapaz do asteroide. Ficaram indignadas. E ofereceram-mo. E isto é amizade. Porque os verdadeiros amigos nunca me iam deixar continuar a viver sem conhecer esta história.

Quando pensei no conteúdo do livro O principezinho e nos valores da amizade que nos ensina pensei que estas duas histórias da minha vida se encaixariam perfeitamente dando origem à receita. Espero que gostem.

 

Não deixem de conhecer a interpretação e as receitas da Catarina (Joan of July) da Joana (Às cavalitas do vento) e da Vânia (Lolly Taste)

5 Comentários

  • Vânia Duarte
    16 Agosto, 2018 12:06

    Adoro, adoro mesmo a explicação para a tua receita, mostras-te na perfeição o verdadeiro sinónimo de amizade e não te preocupes que eu também só li o livro em adulta 🙂 hehehhehe

    • Andreia Moita
      20 Agosto, 2018 15:57

      Ainda bem que gostaste, fico mesmo feliz porque eu adoro este prato e as recordações que ele me dá.

  • Rosarinho e Susana
    17 Agosto, 2018 14:32

    Querida Andreia!! Acreditas que uma de nós ainda não leu “O Principezinho”? Deve ser das poucas pessoas no planeta que ainda não se emocionou com este livro. Mas nada acontece por acaso… se calhar agora é a altura perfeita para o ler. Ficámos muito felizes por o vosso projeto, “Páginas Salteadas”, ter aceite a nossa sugestão e amámos a receita e a forma como a entrelaçaste à amizade e ao livro. Beijos no coração
    p.s. – Contamos contigo no dia 07 de setembro no Clube de Leitura?

    • Andreia Moita
      20 Agosto, 2018 15:56

      Também só o li em adulta e foi mais especial por isso. Obrigada pelo comentário queridas.

  • Green
    29 Agosto, 2018 18:57

    Que história bonita, gostei, e que bela escolha de livro e de receita 🙂

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