O tempo entre costuras e barritas | Páginas salteadas

O tempo entre costuras e barritas | Páginas salteadas

Quando lemos um livro de que nunca tínhamos ouvido falar e ele passa a fazer parte dos nossos preferidos isso é amor. O livro “O tempo entre costuras” foi uma recomendação da Joana Clara e, embora não estivesse previsto, gostamos tanto dele, que tivemos de o trazer para o Páginas Salteadas.

Calhou-me a mim finalizar o mês de Setembro do Páginas Salteadas, o projecto onde ligamos a cozinha à literatura. Eu, a Joana, a Catarina e a Vânia lemos todos os meses o mesmo livro e a cada segunda-feira uma de nós traz para o seu blog uma receita relacionada com o mesmo livro.

“O tempo entre costuras” cativou-nos a todas. É um livro de Maria Dueñas onde cada página é uma novidade. Cada folha é uma frescura. A história é intensa. Corre rápida, tem um ritmo propício a manter a nossa curiosidade aguçada e o nosso interesse cresce a cada capítulo. Ninguém quer acabar aquelas 600 páginas. Tem personagens intensas e intimamente bem construídas, criadas de forma a serem amadas/odiadas de acordo com o nosso próprio entendimento do mundo.

Sira Quiroga ou Arish Agoriuq

Gostei tanto da história de Sira Quiroga ou Arish Agoriuq que queria muito que todos vocês lessem para saberem porque é que lhe estou a dar dois nomes. Fica muito difícil escrever sobre este livro sem vos deixar spoilers tal é o meu entusiasmo. Talvez seja o mais difícil até agora. Porque tenho muita vontade de falar dele. Mas vá, vou tentar. (E para perceberem o nível da coisa, a seguir ao livro todas fomos ver a série da Netflix que está incrivelmente fiel ao livro).

Sira é uma rapariga de Madrid que nasceu e cresceu só com a companhia da mãe e entre retalhos e alfinetes no atelier de costura da D.Manuela. Por amor (dirão alguns) ou por deslumbramento (dirão outros) ruma a Marrocos (que saudades de lá!) deixando a sua mãe. É nesse país que vai ficar sozinha, sem qualquer apoio familiar, sem dinheiro, sem condições, passando os piores momentos da sua vida. Mas… Sira vai conhecer bons amigos, vai criar o seu próprio atelier de costura e tornar-se numa conhecida modista. Vai voltar a Madrid, dar um salto à nossa adorada Lisboa e tudo isto no meio da segunda grande guerra e no ambiente que divide os interesses dos alemães e ingleses.

A mulher em que a pobre Sira sofredora se vai tornar é incrível. Sira é um verdadeiro renascer do poder feminino. E representa o facto de sermos capazes de fazer todas as coisas a que nos propomos. Sejam boas ou más, se precisarmos de as fazer, por algum motivo, somos capazes. Sira, a resiliente. Sira, minha girl boss a representar o verdadeiro girl power.

O tempo entre costuras e…uma receita de barritas

Ingredientes:

  • 1 pacote de tâmaras sem caroço
  • 1 pacote equilíbrio do continente com amêndoa palitada, feijão de soja torrado, miolo de pistácio torrrado e sultana dourada. (Podem usar quaisquer outros frutos secos que sejam do vosso agrado: nozes, pinhões, cajus, etc)
  • Manteiga de amendoim (a gosto)
  • Mel (a gosto)
  • Macarroba da Iswari (a gosto)
  • Bagas goji

Eu não gosto de cumprir receitas. Nem medidas. Gosto de inventar e foi o que fiz. Sei que existem milhares de receitas de barritas e inspirei-me em algumas delas, mas não há uma ciência exacta. Juntei estes ingredientes que vos disse. Meti no liquidificador e tive lá que tempos para aquilo virar uma espécie de pasta com a consistência que eu queria. Espalhei essa pasta num papel vegetal e dei-lhe a espessura que achei conveniente para transformar aquilo em barras. Meti no congelador embrulhado no papel vegetal durante umas horas. Depois cortei em pedaços para formar barras e guardei no frigorífico.

São extremamente saciantes e, sem ter açúcar, são muito doces. É óptimo para quando nos apetece comer uma guloseima. Estou fã disto. Porque escolhi esta receita para acompanhar “O tempo entre costuras”? Pelas cores. O contraste do castanho das tâmaras com o vermelho das bagas goji relembra-me Marrocos na sua plenitude. E depois porque podia ser um dos lanches que Sira servia às suas clientes, da alta sociedade, no seu atelier, enquanto escolhiam os tecidos e os modelos da última moda para os vestidos que iam exibir na próxima festa.

Vejam também as receitas das minhas partners:

Joan of July

Às Cavalitas do Vento

Lolly Taste

 

6 Comentários

  • Green
    24 Setembro, 2018 12:44

    O livro parece-me ser muito interessante e as barras parecem deliciosas 🙂

    • Andreia Moita
      26 Setembro, 2018 11:06

      Muito obrigada querida Green. Se tiveres oportunidade, lê este livro. Beijinho

  • Andreia Morais
    25 Setembro, 2018 20:51

    É um dos livros que tenho em lista de espera. Talvez não o consiga adquirir este ano, mas terá que ser uma das minhas futuras compras, porque a sinopse cativou-me e só leio opiniões maravilhosas *-*
    Não são grande fã de tâmaras, mas fiquei tentada a experimentar esta receita

    r: São perguntas para as quais adorava ter resposta. Mas acho que ainda há pessoas que não compreenderam que elogiar não as inferioriza

    Beijinho grande

    • Andreia Moita
      26 Setembro, 2018 11:05

      É de facto um livro maravilhoso. Assim que possas, lê, vale a pena. Um beijinho

  • Matilde Belchiorinho Castanho
    25 Setembro, 2018 20:57

    Não sei se me apetece mais ler o livro, ou cozinhar… Adorei esta rubrica, uma ideia genial!

    • Andreia Moita
      26 Setembro, 2018 11:04

      Muito obrigada. Eu recomendo muito o livro. E a série já agora. Mas se se juntar o lanche melhor ainda.

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