Toda a gente tem uma história

Toda a gente tem uma história

Muitas vezes fazemos comparações uns com os outros. Vezes demais talvez. Porque as pessoas fazem isto ou porque as pessoas têm aquilo. São assim e assado. Preocupamo-nos. Pensamos demasiado. Mas e a nossa vida não foi boa o suficiente até aqui? Não vai ser ainda espetacular? O nosso percurso não interessa? Toda a gente tem uma história, não é?

Quando me convidaram para participar no programa Conversa de Mulheres da Kuriakos Tv fiquei apreensiva. Mas não deixei de ficar feliz. O convite apareceu por causa do blog. O objectivo era ir falar sobre este meu projecto. Fiquei contente por terem dado com ele e gostado o suficiente do meu trabalho aqui para quererem falar comigo sobre ele.

Inteirei-me acerca do programa. Era uma conversa descontraída sobre a vida e trabalho das convidadas em alguma área especifica. O programa teria aproximadamente duas horas de duração e pelos episódios que vi tinha duas convidadas uma cada parte. Era imenso tempo em televisão! Cinco minutos é muito. Uma hora e cinquenta é perto de uma imensidão. No dia anterior quando vi o anuncio do programa só falaram numa única convidada. Era eu. O que teria eu para dizer durante duas horas em televisão?

Durante o tempo em que lá estive percebi que toda a gente tem uma história. Não sabia o que dizer durante tanto tempo sobre mim. Mas afinal havia tanta coisa.

Toda a gente tem uma história, mais ou menos interessante aos olhos dos outros

Quando estive na conferência da Bless no ano passado, ouvi muitas histórias de coragem. Pensei que a minha história não tinha contornos tão enaltecedores. Que eu não tinha grandes pormenores de coragem. Grandes desafios. Mas o que é isso afinal? Não teremos todos nós os nossos contornos? Não teremos todos nós as nossas dificuldades? Não teremos todos os nossos momentos de orgulho, de ultrapassar obstáculos, de coragem, de dignidade? Não serão esses momentos, sejam quais forem, grandes momentos? Toda a gente tem uma história. Eu precisava entender isso. Pode ter mais ou menos interesse. Mas não importa, é o meu percurso, é a minha história. E tem tanto valor como outro percurso e outra história qualquer.

Neste programa falei da minha infância, que foi bastante feliz. Das minhas brincadeiras. Do que fui e do que queria ser. Soube desde cedo que queria ser jornalista. E fiz por isso. Agora já não sei. Faz parte do chamado crescimento. Eu fiz amigos em vários momentos da vida. Eu acompanho a minha família desde sempre. Eu viajo. Tenho vários interesses e ainda bem. E criei este blog que já me deu muitas coisas fantásticas. Já fiz coisas boas. Já fiz coisas más. Escolhi. Enfrentei. Ganhei e perdi. Ainda bem. É isso que pretendo entender e continuar a fazer.

Não digo que não haja histórias mais fascinantes ou, por outro lado, mais dramáticas. Claro que há. Mas essas histórias não devem servir nem para enaltecer nem para desvalorizar a nossa. Não deve servir de comparação. Toda a gente tem uma história. Essa é a principal lição que eu retiro da participação neste programa.

6 Comentários

  • Green
    11 Setembro, 2018 12:56

    Parabéns! É sempre bom quando temos um projeto e nos esforçamos para que dê frutos, e vemos esse mesmo projeto ser valorizado 🙂

    • Andreia Moita
      26 Setembro, 2018 11:16

      Muito obrigada, fico muito contente com as tuas palavras e visitas aqui ao blog.
      Beijinho

  • Rosarinho & Susana
    14 Setembro, 2018 11:24

    Em primeiro lugar, aqui as miúdas, querem dar-te os parabéns por este convite (merecido!). Vamos espreitar a tua entrevista com muito carinho.
    E, agora, reforçando o que escreveste neste post: todas nós temos algo para contar, porque a história da nossa vida, também, é feita capítulos: momentos que nos fazem crescer, momentos para celebrar, momentos que nos colocam à prova mas que nos dão força para continuar atrás dos nossos sonhos, momentos que nos obrigam a sair da nossa zona de conforto… A vida é uma riqueza!
    Beijinhos

    • Andreia Moita
      26 Setembro, 2018 11:13

      Muito obrigada pelas vossas palavras miúdas. É sempre óptimo receber o vosso feedback.
      Beijinhos

  • Joana Sousa
    14 Setembro, 2018 13:59

    Tão bom ouvir-te, Andreia! E ler-te. É mesmo isso. Se não temos “grandes histórias de vida” tendemos a menosprezar sempre o nosso percurso. Faço isso tantas vezes! Mas não pode ser. Somos pessoas e não temos que ter vergonha do nosso percurso – seja ele muito difícil ou fácil. E é bem melhor quando as memórias são boas como as tuas <3

    • Andreia Moita
      26 Setembro, 2018 11:14

      “Não temos de ter vergonha do nosso percurso” – é isso mesmo. Temos de nos orgulhar e falar dele até, recordá-lo como fiz aqui.
      Beijinhos jiji e obrigada pela tua visita.

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