milão roteiro 3 dias

A viagem a Milão não estava programada nem fazia parte dos nossos planos nos próximos tempos. No entanto acabou por ser a nossa primeira viagem de avião após a paragem-a-que-todos-fomos-obrigados-pelos-motivos-que-todos-nós-sabemos.

O que aconteceu foi que ao remarcar as viagens não feitas em 2020, que tínhamos agendadas pela Ryanair, sobrou dinheiro (olha que chato!) pelo que olhamos para os destinos para onde eles voavam e procuramos um que não conhecêssemos e desse para visitar em três dias (com um feriado à segunda, faríamos uma escapadinha). Foi desta forma, pouco romântica ou convencional, que escolhemos Milão.

Nos dias anteriores passei algum tempo ao computador a procurar roteiros, informações e dicas. Adoro tanto essa parte como esta que agora vos faço! Encontrei o post da Claudiasemacento que já lá viveu e durante a estada, falei com ela pelo instagram e acabou por me dar uma das maiores dicas, portanto leiam o meu post mas não se esqueçam do dela!

A meteorologia nesta altura do ano (Outubro/Novembro)

O tempo previsto para Milão era de chuva durante os três em que iamos lá estar. Já estou meio habituada a visitar cidades europeias de chapéu-de-chuva (um acessório que detesto). Não é bonito, mas é um risco quando se escolhe viajar no Inverno. A meteorologia é a grande responsável por me fazer mudar os planos, caso contrário eu seguiria o plano de régua e esquadro. Assim, tive que adaptar e fazer umas trocas. Obviamente que isto não é relevante para vocês, só falo no assunto para vos ajudar a serem queridos com a vossa experiência. E mesmo que às vezes vos pareça que tal caminho é parvo porque isso é “andar para trás e para frente”, às vezes acaba por fazer sentido ou ser a melhor solução.

Milão: o que ver e visitar?

Chegámos perto das 14h da tarde e apanhamos o shuttle mesmo à porta do aeroporto de Bergamo (ver dicas) que demora uma hora a chegar perto da estação central de Milão. Ai paramos para almoçar num dos cafés (que foi a nossa refeição mais cara, cuidado com isso, quer dizer a comida em Itália não é muito mais cara do que ir a um restaurante italiano em Portugal – basta escolher o certo – restaurantes nas principais ruas extrapolam, mas se for preciso na rua ao lado, já está tudo bem).

Apanhámos metro (ver dicas) para o hotel Ariston bem perto do Duomo. Aliás foi escolhido pela localização. Os preços do alojamento eram meio carotes na nossa opinião. Achamos o hotel com falta de acabamentos, notava-se que estava em obras e o pequeno almoço não era por aí além.

Portanto, vamos começar não sem antes vos dizer para terem em atenção que o nosso roteiro de três dias em Milão começou às 16h da tarde de sábado. Já vos vou dizer o que fomos capazes de fazer. Acompanhem aí.

Dia 1 em Milão

  • Piazza del Duomo: onde estão a Catedral de Milão (dá para entrar e subir para ver os terraços, mas nós não o fizemos) e as Galerias Victor Emmanuel II (onde está a pastelaria mais antiga de Milão a Marchesi – em cima da Prada – à qual não fomos porque estava sempre fila. Aqui estão também algumas das lojas mais caras do mundo – acho que vou repetir esta frase algumas vezes ao longo deste texto – como sabem Milão costuma ser chamada “a capital da moda”, por isso é normal que encontremos muito consumo de luxo). Estava tanta gente aqui, tipo SEMPRE. Neste dia inclusivamente havia uma manifestação, não sei a favor ou contra o quê. (E no dia seguinte quando lá passei para ir para o metro, havia uma parada militar). É claro que este é o sítio onde têm que ir primeiro. É o cartão postal de Milão. Ficam logo a ver a energia da cidade.
  • La Scala (é um teatro)
  • Galeria Brera
  • Brera. É  um bairro com muito movimento e bastantes zonas de restauração. Decidimos voltar aqui no final do dia para jantar e escolhemos La Taverna del Borgo antigo – recomendo!)
  • Quadrilatero de la moda (visto de cima, no google há várias imagens, as maiores e mais reconhecidas lojas estão em ruas que formam um quadrado e por isso é assim chamado. Além de lojas também muita animação e restauração com esplanadas)
  • Porta Garibaldi
  • Porta Nuova. Uma zona muito moderna e inovadora, meio diferente do resto da cidade em termos de arquitetura paisagística, digamos assim. Fica aqui também um restaurante conceituado, o Rataná, mas não entrámos, nem nesse nem noutro, porque era difícil sem reserva.
  • Corso Buenos Aires (é uma avenida muito movimentada também)
Catedral de Milão – Plaza Duomo
Galerias – vista por dentro
Galeria de Brera

Dia 2 em Milão

  • Bairro Navigli. E o que é isto? É um canal, como os de Veneza. Era domingo e havia uma feira, como a da ladra a contrastar imenso como o luxo no centro da cidade. Adorei e recomendo.
  • Castello Sforzesco É um monumento do século XV construído para ser uma fortaleza e hoje acolhe exposições dos museus e galerias da cidade., muito interessante de ver. As ruas à volta também achei bem italianas!
  • Parque Sempione, mesmo junto ao castello existe um mundo verde dentro da cidade. Adoro passear nos parques e jardins.
  • Arco da Paz
  • Igreja Santa Maria delle Grazie: Aqui está o quadro “A última ceia” de Leonardo Da Vinci (il cenacolo) que por tanto já ter “visto” em livros queria ver ao vivo. Não consegui (ver dicas)
  • Basílica de Santo Ambrósio
  • Museu da ciência de Leonardo da Vinci.
Navigli
Castello Sforcescco
Castello Sforzesco
Parque Sempione e Arco da Paz
Il apperitivo – La Movida – Navigli

Todos estes monumentos e cenários emblemáticos vimos por fora e durante a manhã deste dia. Perto do Castello Sforzesco temos a estação Cadorna onda apanhamos o comboio para Como Lago. Eu queria muito ir conhecer esta cidade idilica italiana, mas achei que não daria tempo. A Claudia, de quem vos falei no inicio, fez-me ver que dava perfeitamente.

Bebemos um cappucciono e comemos um bolo de chocolate enquanto esperávamos pelo comboio. E uma hora e 4,80 euros depois, estávamos a ver uma das mais bonitas paisagens, em Como. Vale mesmo a pena fazer este bate e volta como dizem os brasileiros nos seus roteiros de viagem.

Como – Lago

Eu não parei de dizer “que lindo!” durante o tempo todo. Chegámos por volta das 14h e assim que saímos da estação do comboio deparamo-nos com um cenário de filme, a sério. Um lago, uma montanha, casinhas coloridas ao longo de toda a margem, barcos, hidroaviões, cisnes, folhas amarelas do outono no chão e um ligeiro friozinho que nos faz querer aconchegar o pescoço. Podiam olhar a 360 graus, dando voltas sobre vocês mesmos, que era tudo bonito.

  • Life Eletric
  • Monumento ala resistência europeia (perto do qual almoçamos umas piadinas numa roulote de rua)
  • Volta temple (jardim)
  • Villa Olmo (o marquês Innocenzo Odescalchi mandou construir esta mansão para ser o seu refúgio de férias)
  • Plaza onde está o monumento Alexandre Volta que tem imensa restauração e um ar charmoso e pitoresco. Achei um encanto passear aqui.
  • Catedral de Como com a sua cúpula azul.

Ficamos pouco mais de três horas em Como e regressamos a Milão com a certeza que fizemos a escolha certa. Fomos jantar à zona de Navigli onde nos sentamos na esplanada do La Movida e escolhemos o “apperitivo” (ver dicas). Esta zona é muito boa para quem gosta de vida noturna.

Dia 3

Se nos dois dias anteriores tivemos sorte com chuva fininha e vários momentos em que ela nos deu descanso, neste terceiro dia a chuva não abrandou nem por um momento. Fomos ao estádio San Siro. Não julguem. A única coisa que o homem pede para incluir no roteiro é visitar o estádio de futebol da cidade onde vamos. O resto eu posso escolher e decidir. Portanto, à partida já sabia que este destino estava incluído.

Para quem não sabe, como eu não sabia, esta é a casa de dois clubes, o ACMilan e o Inter de Milão. A visita guiada custa 30 euros, inclui a história, o museu, os balneários e o relvado. O homem ficou feliz e eu também acabei por achar interessante (vá, mas não lhe digam!).

Voltámos à estação central como referência, porque é lá perto que se acumulam os shuttles para regressar ao aeroporto (ver dicas)

Dicas de Milão

  • Metro: Compramos o bilhete de 3 dias, que custa 12 euros, porque iria estar a chover e apesar de andarmos sempre muito a pé iria ajudar-nos no caso de precisarmos ir para sítios mais distantes – tentem só não perder o bilhete, deixando-o na máquina depois de a porta abrir, logo na PRIMEIRA utilização – como eu fiz – não sei porque me exponho desta maneira – enfim anotem este conselho!)
  • Para visitarem a Catedral e os terraços o preço é 29 euros. Se quiserem apenas subir são 15euros.
  • Cenacolo Viniciano: Se quiserem ver o famoso quadro “A última ceia” comprem o bilhete online com bastante antecedência. São 15euros e a visita é de 15 minutos. Comprar bilhetes na hora é praticamente impossível e esta foi a razão pela qual eu não entrei, já não havia vaga. Atenção ao vosso planeamento de roteiro porque o Cenacolo Viniciano fecha à segunda e ao domingo abre apenas da parte da tarde.
  • Uso muito a App “Sygic Travel” que dá para organizar a viagem por dias marcando os principais pontos que queremos ver. Pelo caminho ela vai sugerindo locais e além disso indica os melhores percursos de uns sítios para os outros otimizando o nosso tempo.
  • Il apperitivo: Em muitos restaurantes de Milão, a partir das 18h da tarde ao pedir o “apperitivo” pagamos a bebida e trazem-nos uma espécie de entradinhas (e não é como Portugal que vos dão amendoins ou tremoços, são mesmo salgados, sandes, bruschettas, etc.) Em muitos casos é até buffet o que acaba por compensar imenso. Imaginem que pedem um gin ou o famoso Alperol (pode variar entre os 8 e aos 12 euros) com isso têm direito a comida.
  • Como acontece em todas as outras cidades de Itália contem com a taxa de serviço e com gorjeta no final.
  • Shuttel do/para aeroporto: Muita calma nesta hora. Do aeroporto para o centro da cidade (o shuttle deixa-vos junto à estação central) encontramos várias camionetas logo à saída. Não foi difícil. O bilhete custa 10 euros e compra-se diretamente ao motorista. A viagem dura uma hora. No caminho de volta, apanhamos o shuttle no mesmo local, mas vão com tempo ou então comprem o bilhete online que dá acesso prioritário, pelo que fui percebendo (acho que até é mesmo a melhor solução!) Estava a chover imenso e as pessoas amontoavam-se em cima umas das outras para conseguir um bilhete e entrar. O motorista vai aceitando o dinheiro (tem que ser em dinheiro!) do bilhete sem muita ordem e quando não há mais lugar tens de ir no próximo. Por isso, digo para irem com tempo de acordo com o horário do vosso voo para não o perderem por causa de um percalço no autocarro.

Opinião de Milão

Fizemos praticamente os quilómetros de uma maratona em 3 dias. No primeiro dia, em que foi só uma tarde fizemos 15km e no segundo 22km. O terceiro dia, apesar de só termos visitado o estádio ainda conseguimos acrescentar mais 6km à conta.

Milão é uma cidade que se faz muitíssimo bem a pé. Apesar de ser considerada a cidade da moda, do que é chique e tem classe, eu também a achei uma cidade muito artística. Há galerias de arte por todo o lado. Pincéis e telas nas monstras das lojas o que lhe dá um certo charme, sabem?! Se Florença é conhecida pela escultura eu direi que Milão dá ares de pintura. Gostei muito deste ponto de vista. Entendo e concordo com quem diz que Milão não tem o mesmo encanto nem o mesmo ar pitoresco de outras zonas de Itália. Mas nota-se que Milão merece o seu lugar, sim. Eu gostei.

É uma cidade bastante simples e fácil de viver. Não é Roma (que amei) nem Veneza (que é tão diferente de tudo que nem dá para não ser marcante), mas merece uma visita. Talvez seja mais urbana e cosmopolita do que as restantes onde a história salta por todo o lado, por exemplo! Eu gostei muito e vê-se perfeitamente numa escapadinha de três dias (que no fundo, com tempos de voo e deslocações, passam a ser dois) que noutras cidades italianas não seria possível.

Já conhecem Milão? Pretendem ir? Contem-me coisas. Se tiverem dúvidas e acharem que eu posso ajudar, mandem! Espero que tenham gostado do post 🙂