uma coisa que nunca aprendi a fazer

Uma coisa que nunca aprendi a fazer foi colocar os cordões nos ténis depois de os lavar. Ou seja assim que tiro os atacadores nunca mais os sei pôr de volta.

Não se trata de atá-los. Dar um nó e um laço em seguida. Isso, embora nunca faça, porque me descalço e calço com os ténis apertados, sei fazer bem. É uma habilidade ou técnica que aprendemos em crianças. Excelente para treinar a motricidade fina, até. Mas, tirá-los por completo e voltar a pô-los é uma questão completamente diferente. E é uma coisa que nunca aprendi como fazer.

Tenho a certeza que se me debruçar sobre o assunto e vir alguns vídeos no Youtube, conseguirei fazê-lo. Mas a verdade é que tal competência nunca me chamou a atenção. Chamem-me preguiçosa! Estou a aceitar insultos. O facto de colocar um cordão numa argola ou buraco para vê-lo sair por outro, formando uma espécie de emaranhado lógico, não me traz felicidade. Ao que parece até podemos ter “desenhos” diferentes nos ténis, embora não perceba muito bem o objetivo disso. Não vejo porque é que alguém há-de querer estar sempre a mudar a forma como os atacadores estão postos.

Gosto de quebra cabeças. Gosto de jogos de lógica. E apesar de gostar de desafios fico frustrada com facilidade quando não consigo concluí-los. E histérica se deixar coisas que me propus fazer a meio. Adoro a primeira tentativa. A segunda também. Mas desisto após algumas falhas. Quando não encontro a última diferença vou ver às soluções. Quando jogava super Mário era capaz de arremessar comandos quando ficava “sem vidas”. Não quero com isto fazer de mim uma pessoa desistente, que acho que até não sou. Mas fico desanimada sim. Não com o facto de perder, porque felizmente sei o significado da palavra jogo, mas com o facto de não conseguir. Estou-me a fazer entender?

Quando vejo os atacadores dos ténis lavadinhos e branquinhos prontos a colocar é mais ou menos como quando vejo os colares todos emaranhados. Já sei que vão ficar num estado ainda pior se eu lhes tocar. Porque perderei a paciência se não tiver resultados rapidamente.

Percebo com este texto que não aprender a fazer uma coisa relativamente simples tem então a ver com a minha falta de paciência e frustração. Quando não consigo algo irrito-me. Bonito! Isto diz algo sobre a minha personalidade. E aquilo que eu pensava ser um texto meramente engraçado cuja ideia veio de um livro de escrita criativa, acaba por me ensinar alguma coisa hoje. E posso não saber meter os atacadores de volta nos ténis, mas sei o porquê de isso acontecer graças à habilidade conseguir reunir meia dúzia de palavras. Nada está perdido!

Colocar os atacadores dos ténis é uma coisa simples que se aprende rápido. Nunca me interessou e irrita-me. Então, é uma coisa que nunca aprendi a fazer. Qual é a coisa mais simples de fazer que vocês nunca aprenderam?

Aldrabei o desafio do caderno 642 Tiny Things to write about, o que dizia era o seguinte: write instructions for how to do something you haven’t learned to do since you werw very young (blow a bubblegum, or swim, or tie your shoes, or make a paper airplane, or build a snowman, for instance)