o tatuador de auschwitz

Ler um livro significa um bocadinho imaginar. Ler “O tatuador de Auschwitz” não foi bem assim, foi diferente. Visitei o que restou de Auschwitz, em 2015, durante o meu interrail, e por isso tinha presente algumas das imagens que eram descritas ao longo da leitura.

Li a história de Lale e Gita no campo de concentração de Auschwitz- Birkenau em menos de uma semana. Mas o tempo lá não passava assim tão depressa como passa hoje para nós.

Os carris, os vagões e os caminhos que terminam em Auschwitz

Lale chega ao campo num daqueles vagões de madeira que tanto já vimos nos livros de história. Eu sei que muitas vezes eram os trabalhos forçados, a fome, o frio ou o golpe fatal de uma arma que os matava. Mas eram os carris e estes vagões que levavam as pessoas para o seu fim.

“O tatuador de Auschwitz” surpreendeu-me na sua história. Eu esperava uma coisa mais difícil de ler. A história transporta-nos realmente para aqueles dias de horror, que pensando bem, não estão tão longe assim. Vi todo aquele livro dentro da minha cabeça a preto e branco. Assim como vejo todas as imagens daquele sítio. Visitei Auschwitz-Birkenau num dia muito frio, com nuvens cinzentas no céu. É exatamente assim, a escuro, que o continuo a recordar.

Todos sabemos o que acontecia nos campos de concentração. Aquela divisão à chegada. As filas para receber um prato de sopa que não era mais que água suja. O sentimento de estar sozinho sem saber se a família viveu ou morreu. O frio, as noites sem dormir. A pele e os ossos a enfraquecer. A vergonha e a humilhação. Os maus tratos, as violações, as torturas. As experiências médicas, as câmaras de gás, a morte à queima roupa. Tudo isto no século XX. Tudo isto feito e vivido por homens e mulheres como nós.

Uma história de horror em forma de romance

“O tatuador de Auschwitz” não deixa de ser um romance na sua essência. Continua a ser triste, mas está muito bem escrito o que faz com que seja mais fácil de ler. A forma como a história está escrita faz toda a diferença. Recomendo muito esta leitura.

Lale tira alguns pedaços de pão e de salsicha da pasta e deixa-os no beliche mais próximo. De saída, vê dois deles a distribuírem a comida. Cada um dos outros, ao receber a sua porção, divide-a em pedaços ainda mais pequenos, que reparte. Não há empurrões nem lutas, apenas uma distribuição ordeira de alimento vital. Ouve um deles dizer “Toma. Joelão, fica com a minha parte. Precisas de energia.” Lale sorri. O dia começou mal, mas agora acabou com um gesto magnânimo vindo de um homem morto de fome.”

Lale, Gita e o amor sob tortura

No campo de concentração Lale, o responsável por tatuar os números nos braços dos prisioneiros, apaixona-se por Gita. E como Gita não se apaixonar por Lale? Todas nos teríamos apaixonado. Mas como amar num sítio onde não se sabe se se estará vivo até ao final do dia?

Inclina-se e colhe delicadamente a pequena flor. Amanhã arranjará maneira de a dar a Gita. De volta ao quarto, tem o cuidado de deixar a preciosa flor ao lado da cama e depois dorme um sono sem sonhos, mas na manhã seguinte, quando acorda, já as pétalas da flor caíram e jazem encarquilhadas em torno do centro negro. Neste lugar, só a morte sobrevive.”

O Holocausto e a segunda guerra mundial são uma parte da história que me interessa muito. Por isso achei importante ler este livro e saber que até mesmo no mundo a preto e branco pode nascer amor.

O “Tatuador de Auschwitz” foi-me oferecido pela JB comercio global, uma empresa portuguesa distribuidora, fornecedora e grossista em artigos de papelaria/livraria, economato, brinquedos, tecnologia, entre outros. Agradeço-lhes muito a oferta e convido-vos a visitar o espaço online.

o tatuador de auschwitz