sorte ou trabalho

Quantas vezes já ouvimos “tiveste sorte” seguida da resposta “não foi sorte, foi trabalho”? Sorte ou trabalho têm que andar sempre desalinhados? Têm que ser inimigos? Eu vou acrescentar a esta eterna discussão outras vertentes porque não tem que ser assim tão preto ou tão branco. Há várias escalas de cinzento aqui.

Da sorte ao trabalho há uma longa lista de coisas. Nunca é só sorte. E há sempre trabalho. Mas às vezes a sorte ajuda e o trabalho compensa. Percebem? Não se pode dizer à partida que a sorte não existe. Nem que o trabalho não te coloca onde deves estar. Nem o contrário. Há um conjunto de fatores importantes como o empenho, a motivação, o talento, a atitude, as circunstâncias e a justiça até.

Gosto muito deste tipo de assuntos. Sorte ou trabalho? Porque não um pouco dos dois? Eu diria que nunca ninguém assume que foi só sorte porque isso custa. Toda a gente prefere dizer que foi trabalho por é mais nobre. Mas a sorte existe. E ajuda. Mas, não. não nos podemos sentar e esperar da sorte porque ela não funciona assim, A sorte nasce com o que tu lhe dás. Então sim é trabalho. Então, qual vem primeiro? Nunca saberemos, é como a história da galinha e do ovo.

Sorte ou trabalho? Opostos ou podem andar juntos?

Vou falar-vos da minha primeira experiência de trabalho. Era estagiária e esforcei-me muito. Acho que os estágios são um assunto delicado. Injusto. Mal visto. Mas também mal aproveitado. Considero que todo o trabalho deva ser pago evidentemente, é injusto trabalhar sem ser remunerado sempre. Mas nunca desempenhei pior um trabalho por ser estagiária. Era um trabalho na área na qual me licenciei. Queria muito estar ali. E sentia que tinha aquela oportunidade para provar que merecia e que era capaz. A minha maior motivação residia, na altura, em duas coisas complementares: a aprendizagem e reconhecimento. Quando estamos a aprender estamos a evoluir e quando crescemos isso nota-se.

No final do meu estágio todos gostaram do meu trabalho. Recomendaram-me para ficar. E havia uma pessoa que ia sair da empresa nessa altura. E eu fiquei.

Portanto…

  • Tive sorte porque pude ficar com o lugar dessa pessoa. Mas teria ficado se não tivesse trabalhado para acharem que o meu contributo poderia fazer falta à equipa? Teria ficado com o lugar vago se tivesse sido desleixada, preguiçosa e chegado atrasada? Penso que não.
  • Fiquei porque trabalhei para isso. Mas mesmo tendo dado tudo de mim teria ficado na empresa se não houvesse aquela vaga? Talvez não. Talvez sim. Nunca saberei. Mas sei que já vi muita gente que merecia tanto como eu ter ficado, mas não houve oportunidade ou lá está… sorte.

Então, o que quero dizer com isto? Que houve uma série de acontecimentos que ajudaram. Houve muito trabalho mas também houve sorte. Não foi sorte ou trabalho. Foram ambos. Foi uma conjugação de coisas.

Pode existir sorte sem trabalho? E trabalho sem sorte?

Claro que sim. É aqui que entram os outros factores de que vos falo bem como as circunstâncias.

Uma pessoa que não trabalhe afincadamente pode ser sorte. Pode. E acho que que é aqui que a porca torce o rabo. Porque aqui entra a questão da justiça (ou melhor, injustiça) sabem? Imaginem uma pessoa que não tem talento, mas ganha alguma coisa em detrimento de outras pessoas que se esforçaram para tal. Não foi trabalho, foi outra coisa qualquer. Sabemos que estes casos acontecem. Não vale a pena mascarar a situação. A sorte existe. A sorte é sempre motivo de inveja, ciúmes, revolta. O trabalho já não. Porque quem trabalha merece. É por isso que toda a gente responde “não foi sorte, foi trabalho” à tal insinuação maldosa “ah, tu tiveste foi sorte”.

Efetivamente sabemos que há casos em qua sim é sorte. Que há muita gente que se esforça para trabalhar o melhor possível e nunca chega a ter a “sorte” de ser promovido, por exemplo. E há outras pessos que precisam de fazer muito pouco e basta serem referenciadas por alguém maior para terem “sorte”. E por isso vos dizia que há um mar de cinzentos nesta questão.

Então mas isso quer dizer que a sorte é injusta?

Nem sim, nem não. A sorte deve vir acompanhada de situações que nós criamos. Mas, como sabemos, nem sempre assim o é. O trabalho devia levar até à sorte ou fazer com que ela não fosse necessária nesta equação. Mas demora mais tempo. Como se a sorte fosse uma coisa mais imediata. Eu prefiro o trabalho porque é mais credível. É como se fosse um meio mais honesto (entedem?) de chegar a algum lado, mas não nego a existência da sorte, não sou hipócrita.

Onde entram os fatores como o talento e a oportunidade?

O talento dá trabalho. E a oportunidade surge do trabalho. Tal como a sorte. Então o tempo, o espaço e as circunstâncias importam. O empenho, a vontade e a atitute também. Acredito muito na atitude. A atitude diz muito da forma como eu trabalho. E já ajudou a ditar a minha sorte. Na minha opinião estas coisas é que deviam mostrar o que somos. E o que somos é que devia contar para o nosso sucesso no trabalho ou em qualquer outro lugar ou coisa que nos propomos a fazer.

Então, concluindo, sorte ou trabalho? Eu acho que ambos existem. A questão não devia ser sorte ou trabalho, mas sim sorte e trabalho. Juntos. Porque sabe melhor ter sorte quando trabalhamos.

Qual é a vossa opinião sobre este assunto?