silêncio

Eu nem sempre gostei do silêncio. Era difícil lidar com ele antes. O silêncio era como estar sozinha. Nunca soube encarar o que isso queria dizer. Não sou apologista de aprender a gostar de coisas, prefiro respeitar as coisas de que não gosto e não acho que tenha de aprender a gostar delas. Mas o silêncio é diferente.

Sempre fui uma pessoa de palavras e de poucos silêncios. Sempre disse aquilo que queria dizer e sempre poupei nos silêncios. Sei que perdi muitas oportunidades de o usar, a verdade é que ele é uma arma bem poderosa. Hoje sei disso, mas nunca considerei que fosse melhor calar, sempre preferi falar. Talvez hoje veja que muitos momentos teriam sido menos amargos se tivesse usado o silêncio. No entanto, creio que apesar de já gostar de estar com ele ainda não o consigo usar em minha defesa.

Hoje em dia já gosto de ter o meu momento de silêncio. Antigamente isso distraía-me. Isto pode parecer confuso, mas para mim é natural. Porque a minha cabeça faz sempre muito barulho. Estou sempre a pensar em alguma coisa. Eu preciso de me abstrair mais do silêncio quando as outras pessoas precisam de se afastar do barulho.

Mas os silêncios mudam. O que antes me levava a divagar hoje é aquele que me faz concentrar. Talvez se aprenda a gostar afinal. Calem as vossas confusões e silenciem a vossa cabeça. Mas nunca deixem em silêncio as coisas que têm que ser ditas (no momento certo, pelo menos). Pode parecer confuso da maneira como o digo. Mas o silêncio para mim é exatamente isso, uma confusão autêntica que me baralha. Umas vezes preciso tanto dele e faz-me tão bem e outras vezes impede-me de raciocionar porque preciso de um barulho de fundo. Como se a minha vida precisasse de uma banda sonora.

 

*Este post faz parte do desafio Palavras (quase) perfeitas*