Fotografia: do papel ao instagram

Fotografia: do papel ao instagram

Tenho montes de fotografias. Mil álbuns com diversas fases da minha vida. Desde fotos do meu batizado, às máscaras de carnaval. Desde o primeiro dia de aulas até às férias de verão. Tal como tenho tantas fotografias impressas tenho a certeza que também tenho muitos rolos por revelar. Mas a fotografia mudou. Pelo menos a forma e o modo como as tiramos. A verdadeira essência… essa eu espero que não se tenha alterado.

Antigamente era assim. Pessoas novas, de quinze anos fiquem sabendo que o tempo que demorávamos desde que tirávamos a foto até a vermos efetivamente era muito! Tudo dependia da nossa preguiça ou vontade de nos deslocarmos até à loja para fazer a revelação e claro, pagar por ela. Nessa altura não havia espaço para erros. Se houvesse um dedo a tapar a nossa cara na fotografia só íamos saber na altura em que víssemos. Não havia cá ecrãs para vermos se ficamos mal e então tirar outras trinta mil. Hoje em dia tirar fotografias é mais fácil mas também é mais difícil porque imagem conseguir convencer um grupo inteiro de que as suas caras ficaram todas lindas, na mesma fotografia…

Eu sou uma pessoa de fotografias no geral. Gosto de tirar e, não minto, gosto que me tirem. Os meus avós reclamam muito e dizem que nunca mais viram fotografias sem ser no computador. Eles são capazes de ter razão, porque vamos deixando de imprimir as fotografias para as passarmos a ter fechadas em pastas digitais. Se antes não podíamos perder os negativos, hoje não podemos perder o disco rígido. E é óbvio que toda a gente já perdeu fotografias que tinha no computador em pastas dentro de pastas.

Mais do que termos passados do analógico para o digital, mudámos para a fotografia instantânea. Aquela fotografia que se tira agora e se publica de imediato, passando ali no intermédio pela edição direta no smartphone, com o qual também já tiramos as fotografias. Hoje os apaixonados por fotografia estão no instagram e são lá que surgem as nossas maiores inspirações. Vá no pinterest também, mas já falámos sobre isso e sobre o seu carácter ilusório.

Hoje já não queremos só aparecer nas fotografias a sorrir naturalmente como fazíamos antes. Hoje queremos fotografias a sério, trabalhadas e profissionais até. E por isso surgem livros como este “Leia isto se quer ter muito sucesso no instagram” que nos dá dicas sobre a rede social mas também volta aos primórdios da fotografia. E isso é bom. Porque a maneira como tiramos, fazemos e mostramos fotografias pode mudar mas a essência delas não. E por isso não venho falar sobre o instagram enquanto rede social, nem de algoritmos que estão a mudar (certamente na altura em que o livro foi escrito as coisas não estavam como estão hoje). Venho falar do valor da fotografia em si e do valor do instagram para mim através das dicas deste livro.

Livro de fotografia “Leia isto que quer ter muito sucesso no instagram”

A luz: “Não visite um sítio apenas uma vez”.

Perspectiva: “linhas que se estendem”

Identidade no feed: “Faça igual mas diferente”

Mantenha o foco: “Não consegue abranger todos os temas e estilos no instagram”

Produza uma minissérie: “As pessoas vão querer saber onde a história vai levá-las”

Tire fotos impactantes: “Torne-as imediatamente impressionantes. Se não tiver impacto imediato, as pessoas vão continuar a rolar o feed”

Curve-se e estique-se: ” não fotografe ao nível dos olhos”

Coloque-se na imagem: “transporte as pessoas para a sua foto”.

Crie um estúdio em casa: uma parede branca e luz natura e terá consistência nas fotos

Truques de composição de fotografias: linhas, o interesse no primeiro plano, a regra dos terços, uma imagem limpa, simetria, espaço negativo, ângulos incomuns.

Além destas coisas mais técnicas no que respeita à fotografia, que são para mim as mais importantes, o livro também aborda os temas mesmo específicos sobre o instagram, que é obviamente daquilo que o livro trata:

Apps para editar as nossas fotos: o VSCO, o Darkroom, o Pictapgo, o Snapseed, o SKRWT  e o Cortex Canera, por exemplo.

Hashatags: Sabiam que as hashtags não se destinam a alcançar mais público, mas sim o público mais relevante?

Em resumo, nas fotografias de instagram devemos fazer o mesmo que fazemos nas fotografias com outros fins e no fundo como fazemos na vida:

Sorrir e ser divertido. Mostrar parte de nós, mostrar sentimentos. Ser criativo, mas natural e verdadeiro. Ter estilo e envolvimento. Destacar as cores. Compreender a composição. Ser inspirado e inspirar. Fazer a nossa própria história.

2 Comentários

  • Green
    3 Março, 2018 17:15

    Boas dicas sem dúvida, esse livro deve ser muito interessante.

    • Andreia Moita
      6 Março, 2018 23:16

      E é coisa para ler num tirinho e ficar a pensar naquilo.

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