fazer nada

Preciso de normalizar que “não fazer nada” é fazer uma coisa. No sábado passei o dia deitada no sofá. Li um livro e vi vários episódios de séries. Entre estas duas coisas, dormi. E nem foi uma “power nap” básica. Foi uma sesta profunda. Precisava de o fazer. E soube-me muito bem. Porém quando acordei senti-me terrivelmente mal porque não aproveitei o dia. Oh, que caraças!

Tudo bem quanto a ceder à preguiça. Eu até a respeito bastante. Mas neste caso foi um pouco mais do que isso. Como se estivesse sem bateria, sabem? Então deixei-me ficar a dormir. Mas depois culpabilizei-me ao ver terminado o sábado. Porque podia ter lido mais páginas. Porque podia ter escrito um post. Arrumado as gavetas do roupeiro ou ordenado os livros por ordem alfabética! Porque podia ter ido a algum lado, ter saído, visto coisas novas, aprendido algo novo. Podia, portanto, ter estado a fazer algo que não realmente o que estive a fazer. Se isto é normal!?

Partilhei isto no instagram e recebi inúmeros comentários de pessoas que me diziam sentir exatamente o mesmo. Ou seja que se sentiam culpadas por não ter feito nada de “produtivo”, “nada de jeito”, “nada de especial”. Então descansar, dormir, dar uso ao sofá não é realmente algo interessante. É considerado “perder tempo”. E isto é profundamente errado!

No domingo acordei, fui a um brunch. Voltei para casa e estive então a arrumá-la e a limpá-la. Preparei as refeições da semana. Fiz reels, li, vi séries, escrevi este post. Mas é isto que se considera um dia bom? Preenchido? Cansativo? Neste dia eu só queria estar a fazer o mesmo que fiz no sábado. (Enfim, é o que se costuma chamar de “só estás bem onde não estás” como já dizia o outro.) Não é fácil ser Andreia Moita. Mas já percebi que não sou a única a sentir isto. Vocês também o sentem. E não está certo. Precisamos efetivamente, de vez em quando, de parar e aceitar que não fazer nada é fazer uma coisa.

Isto faz-me lembrar o texto que escrevi no outro dia: Assoberbado ou a Navegar. Porque realmente sinto que vivemos nesta dicotomia permanente que nos desperta os sentimentos mais controversos e culpas que não deviam de modo nenhum existir. Qual é a vossa opinião?