ideias

Tenho muitas ideias, de falta delas não me posso queixar. O meu problema reside em arrumá-las. Porque elas vão-se mais ou menos à velocidade com que vêm. Com a quantidade de coisas que me vêm à cabeça em diferentes fases do dia o que tento fazer é apontar cada uma delas. Se por acaso não fizer vou-me esquecer de coisas realmente absurdas fascinantes. Uma vez li que as ideias vagueiam por aí disponíveis para quem as quiser apanhar. Faz-me sentido e acredito nisso. Porque elas desvanecem-se. Como fumo no ar. Imagino que se pudéssemos assistir a uma ideia a desaparecer seria mais ou menos como ver balões de hélio no céu a ficar cada vez mais pequenos até deixarmos de os ver. Mas para onde vão as ideias perdidas?

Ora pois se eu até tenho ideias à balda e as aponto para não me esquecer delas, qual é então o problema e motivo real deste texto, perguntam vocês? As minhas ideias estão espalhadas por trezentos lugares diferentes. Cadernos, blocos e post it. Notas do telemóvel. Rascunho de emails. Já cheguei até a gravar áudios.

O objetivo é que quando e se eu for pegar naquele assunto tenha tópicos (realmente interessantes) sobre os quais quero falar ou escrever. A questão (absolutamente doentia) aqui é que eu nunca mais me vou lembrar que aquilo ali está. E se por ventura consultar a lista, aquelas ideias já não vão fazer sentido nenhum ou pelo menos não o mesmo que um dia fizeram quando as escrevi.

Será que as ideais perdem intensidade, quando não são usadas imediatamente, para nos castigar?