os livros que li este ano

Os livros que li este ano foram de tudo um pouco. Li young adult, li romaces, clássicos, thrillers, fantasia. Gosto muito de diversificar. E quando leio uma coisa mais densa de seguida gosto de ler uma mais leve. Como li muito este ano resolvi trazer um post onde falo um bocadinho de cada um deles. Prontos para esta maratona de leitura?

Este ano comecei a utilizar o goodreads. Quem usa sabe que há um desafio de leitura que não serve para mais do que contabilizar os livros que lemos. Ninguém precisa de contar. Mas tudo o que for para incentivar a leitura acho bem. Portanto, em Janeiro coloquei um desejo (para não chamar meta) de ler 16 livros. Cheguei a Dezembro com 33 lidos (faltam poucas páginas para terminar o 34º).

Vou retirar desta equação as coleções. Estou a ler a saga de Game of Thrones (Faltam-me dois para terminar) e reli os sete livros de Harry Potter. Como não são livros isolados não vou falar sobre eles neste post.

Decidi dividir os livros que li este ano em quatro categorias. Seria fácil se fosse por género. Mas não. Vou classificá-los segundo a minha opinião, claro, tem muito mais graça.

Os livros que li este ano e que mais gostei

Isto é como começar pela sobremesa, ou seja pelo melhor. Mas como eu também sou fã de entradas, pareceu-me melhor assim. São livros que têm todos os ingredientes que eu gosto. Estes são livros que me deixaram a pensar depois de os terminar, que me fizeram simpatizar com as personagens e querer ler a cada minuto do dia só para saber o que acontece.

A Terceira Índia, de Íris Bravo

Uma história empática. Criamos uma ligação com a personagem principal Sofia. Tanto nos apetece abraçá-la como abaná-la. Ela é uma personagem real, portanto.

Depois de uma desilução amorosa com um casamento desgastado pelas dificuldades em engravidar, ela parte sozinha para Moçambique. Durante a leitura vamos conhecer bem esta personagem que é determinada e corajosa. E no final assistimos ao maior dilema da sua vida. O que vai ela fazer? (O que faríamos nós?) Este livro tem o melhor final da história dos finais. Porque não acaba, deixa-nos em suspenso. Mas calma, que se vão ler agora, ficam já a saber que há continuação. Eu é que não sabia e fiquei com palpitações. Recomendo mesmo este livro. Por algum motivo o coloquei em primeiro lugar nesta lista de livros que li este ano e na melhor categoria. Pensem nisso.

9 de Novembro, de Colleen Hoover

Um casal encontra-se todos os anos no dia 9 de Novembro. Durante todo o ano não só não se veem como não se contactam. Uma história de resiliência e paixão entre dois jovens com histórias que não têm tempo de contar um ao outro em apenas um dia por ano. Li este livro num fim-de-semana. Eu não queria sair dali de dentro por nada. É muito intenso, arrebatador e inesperado.

Lá onde o vento chora, de Delia Owens

Kya vive sozinha num pantanal. Só que ela só tem seis anos. É abandonada pela família e é a partir daqui que vamos acompanhar o seu crescimento. Uma personagem forte quando tinha tudo para ser frágil. Kya é um exemplo de mulher. É uma história sobre solidão e superação, com um final absolutamente surpreendente e fora do comum.

Verity, de Colleen Hoover

O livro mais diferente desta lista. É perturbador e inquietante. Chega até a chocar. Até hoje não sei quem está a falar a verdade no meio daquela história. E por isso mesmo é que gostei tanto. Acreditam nisto? É mesmo. Li isto de uma assentada. Prende desde a primeira página e isso é de louvar. Gosto muito deste estilo de escrita rápida e frenética mas com conteúdo relevante em cada página.

Apartamento partilha-se, de Beth O’leary

Um livro leve e fresco. Uma comédia romântica simples, bonita e muito divertida. Podia ser um clichê, mas olhem que não é. Tem uma premissa bastante diferente na minha opinião. Duas pessoas dividem apartamento mas como têm turnos opostos nunca se cruzam. Comunicam por post its. É muito engraçado ver como se pode gostar de uma pessoa sobre a qual só sabemos aquilo que escreve.

O sol também é uma estrela, de Nicola Yoon

Este young adult é tão querido. Meu deus, que coisa fofa. Não são só as personagens que se apaixonam, nós também. Fala sobre o destino, essencilamente, e sobre as pessoas que se cruzam na nossa vida por algum acaso (ou não). Tem duas personagens muito diferentes (como já é normal) mas aqui as diferenças estão nas crenças. Temos um lado muito racional e científico e outro lado muito emocional. Só tenho elogios para a construção desta história.

O luto de Elias Gro, de João Tordo

Este livro não é para toda a gente. É melancólico. Talvez triste. Nostalgico. Lento. A história nem sempre se percebe corretamente porque temos que estar no mood. Mas a escrita vale por tudo e por isso é que eu o deixo nesta categoria. Foi este livro que me deu a conhecer João Tordo. Uma escrita melódica, cativante, bonita, criativa, envolvente. Uma escrita que se vê, que se sente. Eu já quero ler toda a obra de João Tordo depois deste livro.

A noite em que o verão acabou, de João Tordo

Foi o último livro deste ano (que ainda estou a acabar à data deste post).  Provavelmente foi o maior. Eu gosto de livros grandes. E este tinha mesmo que ser assim. Porque às vezes os livros são grandes sem necessidade, mas não é o caso deste. Faz todo o sentido. É um thriller em que assistimos ao deslindar do assassinato do magnata Noah Walsh sendo que a principal suspeita do crime macabro é a filha de 16 anos. Vamos saltando vários anos dentro da história, hora estamos na data do crime, hora andamos para a frente e para trás descobrindo uma camada de acontecimentos que podem ter levado àquele dia fatídico. Está muito bem pensado, bem feito, bem escrito e nada é o que parece como é óbvio, se não nem era bom!

Isto é marketing

Os livros que li este não são só histórias. Este é um livro técnico. É muito útil e está muito bem elaborado, lembrando-nos que tudo o que fazemos é marketing, de uma forma bastante natural, como se estivessemos a ouvir o autor contar histórias.

Os livros que li este ano e que foram assim-assim ou que ainda não decidi se gostei ou não

Foi o melhor nome que arranjei para esta categoria, estão a ver? Não são livros “nhé”, não confundam. São livros que não são suficientemente bons para a categoria acima, nem tão maus para a categoria dos que não gostei. São os livros indecisão. Que têm coisas boas e coisas mais fraquinhas ou que não corresponderam às minhas elevadas expectativas. São os livros meio-meio que não cabem noutra das categorias que inventei, mas merecem que fiquem para ver. Vamos lá?

1984, de George Orwell

É uma distopia. Num mundo autoritário onde todos os nossos passos são monitorizados pelo governo. É muito interessante e põe-nos mesmo a pensar nesta espécie de realidade.

Criei uma expectativa demasiado alta e diferente do que o livro é. Acho mesmo que aqui é caso para dizer que a culpa do livro estar nesta categoria é inteiramente minha. Porque ele é bom eu é que não tive condições de o apreciar convenientemente. 

Normal people, de Sally Rooney

Li este young adult em inglês e esse pode ser o motivo de não estar na categoria acima. Conhecemos Connel e Marianne. Ele estrela da escola e ela tímida e sem amigos. Acompanhamos o crescimento deles desde a escola até à universidade e o relacionamento conturbado e nunca assumido. O que aconteceu comigo foi que eu não criei ligação com as personagens. Não conseguia concordar nem com um nem com outro e por isso não foi dos meus preferidos.

Ethel, amanhã em Lisboa, de Cesário Borga

Uma história de amor entre uma jovem judia e um traficante de volfrâmio. Ela tem que fugir e ambos marcam de se encontrar em Lisboa. A história é boa, mas com alguns contornos menos interessantes ou mais chatos, mas eu gosto muito de histórias que se passam na Lisboa antiga e por isso é que fica nesta categoria. 

A última história de amor, de Conceição Queiroz

Gabriela é uma menina que cresce em Lisboa com a mãe. Sonha conhecer África pois sempre ouviu as histórias da família materna. Acaba por seguir nessa aventura para encontrar a história da avó e da mãe. É uma história bastante dura, mas entretanto não me consigo recordar de grande parte por isso creio que não me marcou o suficiente.

Noivos à força, de Christina Laurem

À semelhança do primeiro desta lista tinha as expectativas em alta. Por isso acabei sem saber se gostei ou se não. A premissa é muito gira. Duas gémeas, uma azarada e a outra a maior sortuda de sempre. Tanto que consegue um casamento quase de borla com direito a lua de mel e tudo. Só que durante o casamento toda a gente sofre uma intoxicação alimentar excepto a irmã da noiva e o irmão do noivo. Ambos vão tomar o lugar dos noivos na lua de mel e partem para o paraíso juntos. O único problema é que se odeiam. O livro é uma comédia romantica gira e com bastante piada até, tipo filme de domingo, mas bastante previsivel. Eu estava a espera de mais.

Minha querida Rose Gold, Stephanie Wrobel

Durante 18 anos Rose Gold acreditou que esava doente. Todos acreditavam. A culpa era da mãe que fazia os possíveis para que a filha assim parecesse. Após o testemunho da filha, a mãe foi presa e agora voltou para viver com a filha novamente. Só que a filha já não é uma menina inocente.

Esta e uma história sobre vilões, sobre mentes más e inquietações psicológicas. Eu dei por mim a pensar “mas como é que alguém se lembra de fazer uma coisa daquelas?”. É um livro baseado num caso real com contornos perturbadores, mas interessante na medida em que explora o lado mau da mente humana. Está bem escrito e revela até alguma ironia (o que eu aprecio), mas não me fez querer ler sem parar, não sei o que me aconteceu.

Desejos de chocolate, de Trisha Ashley

É um romance daqueles em que as personagens se voltam a encontrar passados muitos anos e a chama volta a acender-se, sabem? Pelo meio conhecemos uma aldeia pequena, alguma bruxaria e dialógos engraçados. É bastante previsível e um pouco parado nos desenvolvimentos, parece que as coisas nunca mais acontecem.

Os livros que li este ano e que me surpreenderam pela positiva

Eu não esperava nada destes livros e eles acabaram por me supreender de alguma maneira. Podem não ser grandes histórias da literatura, mas eu não preciso que sejam. Gosto de surpresas.

A caminho de casa, de Fabio Volo

É um livro muito simples e eu gostei tanto. Ao contrário de muitos livros que li este ano, os personagens principais são homens. Gostei de entrar um pouco dentro da mente masculina através de um livro. Dois irmãos, completamente diferentes um do outro estão distantes fisica e emocionalemente. Um certinho e outro rebelde têm vidas completamente opostas e vão voltar a reencontrar-se e a aproximar-se para tomar conta do pai que está doente. É muito bonito e comovente.

A mulher do camarote 10, de Ruth Ware

Uma jornalista, que toma comprimidos para a depressão, está num cruzeiro a trabalho. Uma certa noite testemunha um crime no camarote ao lado do seu e comunica o sucedido. Só que ninguém acredita nela pois todos os passageiros continuam a bordo. Então quem é a mulher que ela viu ser assassinada e ser mandada borda fora? É um policial clássico que tem tudo para dar certo, só não vai para os que mais gostei porque podia ser mais rápido.

Estou nua e agora?, de Francisco Salgueiro

Alex decide fazer uma viagem pelo mundo e vamos com ela a ouvir relatos da Tailândia, da Austrália, de Marrocos e de muitos outros locais. Sem pudores ela faz couchsurfing que é nada mais nada menos do que dormir em casa de pessoas uma ou duas noites. Pode parecer estranho, mas olhem que é bem comum. Há um site em que as pessoas se registam para receber pessoas para dormir no seus sofás. Os livros que li este ano são muito distintos. E este é um relato de uma viagem com uma história dentro ou vice-versa.

Livros que li este ano e não gostei ou me desiludiram

Os livros que li este ano e não gostei ou me desiludiram de alguma maneira: esta é a última categoria. Prometo. É semelhante ao assim-assim, mas aqui já decidi que não gostei.

Os imortalistas, de Chloe Benjamin

Quatro irmãos, ainda pequenos, visitam a bruxa da aldeia que lhe diz a data das suas mortes. Quando li isto quis logo ler este livro. A ideia é que ver como vivem as pessoas sabendo a data em que vão morrer. Estes quatro irmãos vão viver de forma bastante diferente. Vamos assistir à vida de cada um deles até à fatídica data. Porque é que não gostei? Porque não senti emoção nenhuma. Porque a dada altura me pareceu que eram quatro histórias separadas e não me fez pensar na promessa inicial.

As gémeas de Auschwitz, de Eva Mozes Kor

Não vale a pena adiantar-me muito aqui. Todos sabemos o que aconteceu em Auschwitz. E esta história não me tocou particulamente. E eu acho que histórias com este conteúdo têm que tocar obrigatóriamente. Quer dizer não é preciso muito, aquilo que aconteceu foi o terror absoluto, como assim não te sentes tocado com um livro sobre o assunto? 

O livro está escrito na primeira pessoa por uma das gémeas mas a sua forma de escrita não chegou até mim. Eu sei que é a visão de uma criança de 10 anos e por isso não pretende ser demasiado elaborado, mas a sua simplicidade não me permitiu sentir o que já senti noutros livros e relatos da segunda guerra.

Orgulho e preconceito, de Jane Austen

Chegámos aqui a uma unpopular opinion. Toda a gente adora este livro e eu não entendo o hype. Fui atrás de uma coisa que achei ser espetacular e andei o livro todo à espera do tal entusiasmo com que toda a gente fala dele. Página após página lá estava eu a pensar… vai acontecer qualquer coisa agora. Não aconteceu.

Vi a ideia, entendi tudo. É surpreendente que uma mulher tenha retratado a sociedade daquela época escrevendo daquela maneira naquela altura. Mas não vi mais nada além disso. E neste caso não creio que tenha sido má gestão de expetativas da minha parte.

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Uf. Acabei. Obrigada por terem chegado até aqui. Vocês são incríveis. Gostei imenso de fazer este extenso post e espero que vos possa servir de inspiração para as vossas próximas leituras. Estou muito contente com os livros que li este ano.

Digam-me também os vossos melhores livros deste ano e já agora também o que menos vos marcaram. Se já leram algum destes deixem também a vossa opinião, para gerarmos aqui uma troca de ideias bonita.