como foi o meu 2020

Tinha feito grandes planos para 2020. Estou em crer que todos nós fizemos, não sei porquê. Tinha ar de ser um grande ano. Na verdade, foi marcante e desafiante para todos. Pela primeira vez todos temos um elo em comum durante um ano inteiro. Por outro lado, foi diferente para todos porque cada um teve de encontrar a sua melhor forma de passar por este ano. Neste post venho falar-vos de como foi o meu 2020.

Este foi um ano ao contrário. Se me contassem que eu não ia viajar eu ter-me-ia chateado e até me tinha fartado de rir, achando que era gozo. Se me dissessem que acabaram os jantares fora, as idas à praia, as férias, os convívios e as noitadas, aí então eu tinha pirado. E sabem porque é que foi ao contrário? Porque de facto os planos viraram… mas mais do que isso, a minha reação não foi tão revoltada como eu própria estaria à espera que fosse.

Em 2020 eu tive que cancelar todos os planos

Comecei o ano com uma lista de planos. Claro. Eu sou de planos. Eu tenho tudo planeado na minha cabeça sempre. Seja o almoço de amanhã, seja a viagem que vou fazer. Isso é óptimo para mim. É assim que me sinto bem. Mas também é mau porque fico ligeiramente histérica quando os planos não se cumprem. E isto é…imaginem…fiz planos para ir a casa de duas pessoas e depois ir às compras. Mas atrasei-me na conversa com a primeira pessoa e já não dá tempo para ir ao supermercado porque entretanto fechou. Pronto. Isto para mim é um drama.

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é viajar. E não se trata só de gostar, eu preciso. Faz-me falta. Tinha duas viagens marcadas e mais duas planeadas. Nenhuma aconteceu. Foi duro? Foi. Mas eu estava à espera que fosse mais, sinceramente. Percebi o verdadeiro significado daquela história do aceitar, sabem? Eu não podia fazer nada. Podia ficar triste, pronto isso podia e fiquei. Mas pronto isso é natural. Mas depois acho que aceitei bastante bem esse facto. Efetivamente não era uma escolha minha ir ou não. Não havia voos, não estava na minha mão. Mais tarde quando se começou a poder ir, eu mesma optei por ficar por uma questão de segurança.

O teletrabalho

Quando eu Março nos mandaram a todos recolher, confinar, isolar, o que quiserem… eu não dei o devido valor. Confesso aqui. Não estava a perceber o que se passava realmente. Estava num trabalho há pouco mais de 4 meses e peguei no meu computador para vir trabalhar em casa. Achei que dali a duas semanas estava de volta. Passaram nove meses e ainda não voltei ao escritório.

A questão aqui é que tem sido extremamente bom. Até pode parecer mal dizer uma coisa destas, mas tenho que dizer a verdade. A maior parte das pessoas detestou trabalhar em casa e eu continuo a adorar. E não tenho que me sentir envergonhada por isso. É a minha realidade e o meu contexto. Trabalho relativamente longe de casa e com o trânsito demoro sempre uma hora para cada lado. O teletrabalho trouxe-me qualidade de vida. Deu-me tempo (poupei dinheiro que também é importante), liberdade, organização e confiança.

A meu ver este formato de trabalho é produtivo se houver a mesma atitude da parte do patrão e do trabalhador. Ou seja não temos de trabalhar mais horas para justificar o facto de estar em casa. E não temos de trabalhar menos aproveitando-nos de estar em casa. Faço-me entender? A palavra chave aqui é responsabilidade. Isso é tudo para quem trabalha em casa.

O estar em casa

Como foi o meu 2020? Diria que foi em casa. E como comecei por dizer no início deste post, ao contrário do que eu esperaria, foi bom. Eu não estava em casa há muito tempo. Havia sempre muita coisa para fazer fora. Um passeio. Uma atividade. Umas férias. Almoçar fora. Estar com pessoas. Ir ao centro comercial. O que seja. Eu sou a pessoa que inventa coisas para fazer. Então estar em casa era o último recurso. Por isso, ser obrigada a estar em casa, quase que foi uma novidade, sabem?

Eu não me senti presa porque adoro a minha casa. Eu não me senti sem nada para fazer porque estava a trabalhar, oito horas por dia. E quando não estava tinha imensas coisas para fazer para as quais antes não tinha tanto tempo. Ler, ver séries, pintar, escrever, fotografar, mudar a decoração da casa, mudar a roupa do armário, arrumar gavetas, fazer bolos, estar no instagram, conhecer o tik tok ou fazer cursos online. Gente, eu entretenho-me em casa desde pequena, portanto não senti nenhuma pressão nem descontentamento.

As leituras

Li tanto este ano. Eu sempre li. Mas nunca tanto assim. Eu usei as minhas horas a mais (as que não perdia no trânsito) para ler. E soube-me muito bem. Ler é um momento que eu adoro. Não preciso de um grande ambiente, só mesmo do meu sofá à beira da janela.

Dentro de todos os livros que li conheci dois autores que nunca tinha lido. A Colleen Hoover e o João Tordo. Agora quero ler toda a obra deles.

As séries

Vi imensas. Eu adoro séries. Muito mais do que filmes. Prefiro envolver-me numa história que dure e que viva comigo mais tempo. As minhas preferidas foram: “Locke and Key”, “Jane, the virgin”, “Vis a vis”, “Good Place”, “Outer Banks”, “A coisa mais linda“, “The Queen’s Gambit”, “Emily in Paris” e agora mais recentemente a série de natal “Dash and Lily”

A casa

Aproveitar a casa. Eu nunca fui de ficar em casa e agora sou. Agora adoro. Eu sou de pessoas, sempre fui de festas. Eu agora dou por mim a estar na rua e quero ir para casa. Portanto, agora estou dos dois lados da força.

Adoro decorar a casa. Pendurar quadros. Escolher plantas. Trocar tudo de sítio. Melhorar cada vez o único sítio que verdadeiramente é meu. E adoro sentar-me na sala, olhar à volta e pensar que gosto deste lugar.

As poucas férias

Acho que nunca tive um ano com tão poucas férias. Com a impossibilidade de viajar acabei eu própria por cancelar férias. Consegui ir uma semana para uma casa alugada no verão com a minha família e foi incrível. Aproveitamos a companhia uns dos outros e brincamos imenso. O resto foram fins de semana grandes. Fui até ao Algarve, a Alcobaça e ao Crato.

As pessoas e a vida social

As pessoas e a vida social foi aquilo que 2020 mais nos tirou. Menos festas. Menos agitação. Mas olhem tentei manter a animação aqui mesmo neste campo. Fiz várias video chamadas com amigos e família e apesar de menos vezes tentamos estar juntos em segurança. Fizemos piqueniques que acabaram por ser bastante divertidos e uma nova forma de estar.

Nunca gostei muito de estar sozinha, mas já há algum tempo que tinha vindo a tentar alterar este aspeto, portanto em 2020 eu já estava ok com isso. Sinto que sou uma pessoa muito social, muito comunicativa e totalmente parte da festa, mas que agora também gosta de estar sozinha. Será a idade?!

No entanto, não me senti sozinha em nenhum momento. Estive a dois. E foi muito divertido. Muita gente nos pergunta se não nos chateamos um com o outro ou se não nos fartamos, uma vez que estamos ambos a trabalhar a tempo inteiro em casa. Olhem, não. Nós temos ambos bastante trabalho e estamos ocupados com isso durante o dia. Depois aos fins de semana gostamos de ver séries juntos, tratamos das coisas da casa e instituimos a hora livre em que cada um faz o que quer para não haver a chatice de saber o que vamos fazer fechados em casa. Ele fica a jogar e eu a ler. Está tudo bem!

O blog e as redes sociais

Este ano dediquei-me muito ao blog, ao instagram, ao pinterest e ao tik tok. Na quarentena comecei a fazer um diário nos stories do instagram (que estão guardados nos destaques se tiverem interesse em ver) e senti que isso me aproximou mais das pessoas formando uma comunidade mais coesa. Além disso, este ano chegou muita gente nova e fiquei muito feliz por isso. Eu gosto muto de redes socaisi e do seu lado comunicativo, de debate, partilha e entretenimento.

Senti-me bastante criativa e produtiva este ano. Aproveitei o meu humor natural para criar conteúdo e fico feliz com o feedback que tenho tido nesse sentido.

Como foi o meu 2020?

O meu 2020 foi a tentar aceitar da melhor maneira e ainda ver as coisas por outro prisma. Eu não gosto daquelas frases feitas de deixar a vida fluir porque se não formos nós atrás das coisas então aí sim é que não acontece nada, mas pronto, 2020 trouxe um bocado de ensinamentos no sentido em que tenho /posso controlar as emoções e não os acontecimentos.

As pessoas não sentem as coisas da mesma maneira e se isso é um dado adquirido da humanidade este ano ficou mais que provado, porque passamos todos pelo menos e dependendo das circuntâncias, contexto e personalidade de cada um, esta história pode ser bem diferente. Para mim não foi um ano mau. A experiência de trabalhar em casa trouxe-me imensas coisas positivas, mas por outro lado ficaram coisas por fazer. É assim que funciona o mundo. 2020 deu-me umas coisas e tirou outras. A decisão sobre o lado do copo para o qual vou olhar é minha. E acreditem que isso é uma aprendizagem muito grande.

Sinto um bocado que este ano deu tempo. Deu tempo para tudo. E ao mesmo tempo passou a correr. Sinto mesmo. Olho para o visor do computador e ele marca Dezembro. Achei que com tudo o que aconteceu no mundo isto havia de soar mais penoso e mais lento, mais custoso a passar em termos de tempo dando aquela sensação de arrasto. Mas não. Sinto que foi muito rápido.

Apesar de tudo acho que tive uma atitude surpreendente, até mim, perante a situação. Portanto é assim que me quero manter. Alegre como sempre me conhecerem por aqui.

E vocês o que levam deste ano?