Comprar ou arrendar casa

Comprar ou arrendar casa

Quando mudei de casa decidi que este post ia sair. Já passaram alguns meses desde a mudança, mas o tema comprar ou arrendar casa não perdeu actualidade. Pelo contrário, está meio mundo a pensar neste tema e outro meio a fazer mudanças.

O processo de mudar de casa não é nada fácil. Acho que estamos todos cientes disto. Há a mudança em si que engloba aquela parte belíssima de encaixotar a vida. De deitar coisas fora. De carregar caixas, de escolher objectos que queremos e não queremos num misto de desapego vs desperdício.

Mudei de casa em Maio. Só em Agosto é que consegui livrar-me de todas as caixas e arrumar todas as coisas que quis manter. (Digamos que nem demorou muito tempo, três meses… básico.) A decoração, essa, nunca estará concluída, vocês sabem. Nunca uma casa está totalmente pronta. Vai estando, até mudarmos de ideias, não é?

O primeiro grande projecto foi a varanda (podem ver o resultado aqui) e o segundo foi o escritório (querem que mostre o resultado?). São duas coisas que não tinha na outra casa e agora estou in love. Agora falta falar-vos do processo anterior a estes dois. Que, não tenhamos ilusões, é o pior processo de todos: parte burocrática da coisa, a escolha do sítio onde vamos morar, quantas divisões queremos, do que não abdicamos, e claro decidir se vamos comprar ou arrendar casa. E, todos sabemos, ambas as coisas estão a preços impróprios.

Comprar ou arrendar casa?

Vivemos durante cinco anos numa casa arrendada. Era o passo mais lógico para sair de casa dos nossos pais. Íamos começar uma vida a dois e arrendar sempre nos pareceu o certo para começar. Se a vida se fizer de etapas então nós seguimos a primeira. Fizemos um contrato de cinco anos. Na altura não nos fazia sentido a questão comprar ou arrendar casa. Estava óbvio que íamos arrendar.

comprar ou arrendar casa

Ao final de algum tempo e com o aproximar do final do contrato a questão entre arrendar ou comprar casa começou a assolar-nos. O contrato de arrendamento terminava em Abril de 2018 e em Janeiro entramos pela primeira vez num banco para saber a hipótese de pedir um empréstimo. Depois disso começamos a ver casas dentro do orçamento.

Tínhamos de avisar o senhorio com dois meses de antecedência portanto tínhamos tempo de ver algumas casas e depois informar. O que pretendíamos era fazer as coisas com calma. As coisas precipitaram-se quando os proprietários nos disseram que íamos ter de deixar a casa no final do contrato. Aí os timings apertaram um pouco. Ainda não tínhamos encontrado a casa onde queríamos viver.

Escolher a casa que vamos comprar

Decidir a casa onde vamos viver é difícil. Seja para arrendar ou seja para comprar. Tem que ser A casa. Mas confesso que para comprar foi mais complicado do que para arrendar. Eu achava que se ia fazer um investimento brutal tinha que ser a melhor casa de todas. Sei que as casas não são obrigatoriamente para a vida toda, mas eu sentia que tinha de escolher como se fosse.

Dizem que há um “clic” que acontece quando entramos naquela que vai ser a nossa casa. Isso aconteceu e é mesmo verdade. Vimos muitas casas. Mas não saímos de nenhuma com o mesmo sentimento com que saímos desta. Aliás com o sentimento que ficamos quando vimos as fotos desta casa. Bastaram as fotos.

Todas as outras casas tinham um problema. Ou eu não gostava do chão. Ou o tamanho dos quartos era mínimo. Ou só havia ma casa de banho. Ou a cozinha era velha, ou não entrava o sol. Sempre havia um pormenor que não estava bem. Eu estava a ser exigente, mas sabia que tinha de ser. Ia comprar uma casa, não ia comprar uns sapatos que podia trocar depois.

Quando vi as fotos desta casas na internet sabia que tinha de a visitar e fazer tudo para ficar com ela. Quando saímos da visita não havia uma coisa a apontar. Gostamos de tudo. Os dois.A escolha estava feita. Sentimos o clic e começamos a imaginar como seria morar nela.

Estávamos em Março. Conseguimos alargar o prazo de saída da casa arrendada para o final de Maio. Em Abril tínhamos um viagem de duas semanas marcada para a Tailândia. Deixamos todo o processo de compra tratado antes de viajar. Quando voltássemos teríamos todo o processo de escritura e mudança efectiva para fazer.

Detalhes do processo de compra do início ao fim

  • Ir ao banco ver, mais ou menos, com base nos rendimentos, qual seria a possibilidade de um empréstimo habitação
  • Ir às agências e procurar casas dentro dos valores que, com o empréstimo, seria suportável pagar
  • Pesquisar em todos os sites de imóveis
  • Marcar visitas e passar dias a visitar casas e começar a descartar hipóteses e ver definir o que queremos ter e não ter numa casa
  • Quando, por fim, gostamos de uma casa fazemos uma “proposta” (ou seja damos uma valor que estaríamos dispostos a pagar pela casa.) É aqui que tudo começa. Pois várias pessoas poderão fazer o mesmo pela mesma casa e em horas podemos “perder” a casa, pois os donos escolhem a proposta que querem aceitar.
  • Avaliação da casa. Um técnico irá avaliar a casa com base na eficiência energética, número de assoalhadas, localização e daí dará o preço que ela vale no mercado. Esta avaliação é paga pelo comprador.
  • O banco empresta, na maior parte dos casos, 80% do valor pelo qual a casa foi avaliada. O resto estará a cargo do comprador.
  • Com base nos dois pontos anteriores o comprador vê a viabilidade e decide prosseguir o processo de compra ou voltar a procurar casa.
  • Caso o processo prossiga é hora de marcar a escritura, pagar impostos, registos, contratos, seguros, comissões bancárias, etc. (Se o comprador decidir não avançar, começa tudo de novo.)
  • Início das mudanças

A minha opinião, a minha escolha e a minha experiência

O processo de escolha entre comprar ou arrendar casa, como disse, não é fácil. Decidir comprar exige tempo e dinheiro. E muita disposição. Já passei pelos dois processos (arrendar e comprar). Acho que para começar a vida arrendar é o ideal. Mas para construir um futuro comprar é essencial. Sei que nos dias de hoje os preços estão pela hora da morte, muitos nem sequer fazem sentido. Eu vi muitas casas que não valiam o preço pelo qual estavam a ser vendidas. Arrendamento então está a ficar impossível.

Falo de acordo com a minha experiência e opinião entre comprar ou arrendar casa. Estou bastante contente com a minha decisão de arrendar no início e comprar agora. Talvez até devesse ter comprado mais cedo (agora que sei o rumo das coisas), mas fez-me sentido que assim fosse e por isso resolvi partilhar este pedaço da minha história. Espero que tenham gostado.

2 Comentários

  • Green
    9 Outubro, 2018 10:34

    Acho que concordo contigo, para início de vida arrendar será certamente melhor, até porque nunca sabemos como as coisas irão correr. Belo post, é sempre bom estarmos informados.

  • Filipa Maia
    10 Outubro, 2018 7:02

    Fizemos a mesma transição no final de Julho: depois de 5 anos a arrendar, comprámos a nossa casa. Ainda queremos fazer muitas coisas, viajar muito, viver noutros países, por isso vemos esta compra como um investimento e não como “casa para a vida toda”, o que tornou o processo de compra bastante diferente, um pouco mais simples mas, ainda assim, bem mais complexo do que a procura de casa para arrendar. Mas estamos muito felizes com a escolha, já começávamos a sentir o arrendamento como dinheiro deitado ao lixo 🙂

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