Parece um bocado sem sentido esta pergunta que faço hoje no título: “Como aproveitar o tempo (perdido) no trânsito?”. É um contrassenso na medida em que vos estou a dizer que o tempo no trânsito está perdido e ao mesmo tempo vos estou a sugerir que há como aproveitar esse tempo. Ora bem, vamos ao que interessa. Porque se continuar a engonhar desta maneira nem o pai morre nem agente almoça*

Desde que comecei o novo trabalho tenho enfrentado largas filas de trânsito. E esta é uma forma suave de dizer que tenho passado lá umas valentes horas. Tanto para ir de manhã como para voltar à tarde. Nunca antes tinha vivido tamanho drama na minha vida. O caminho para o novo trabalho é praticamente o mesmo que fazia para o antigo. São poucos quilómetros de diferença entre um e outro. A diferença que antes trabalhava por turnos (e entrava ou muito cedo ou muito tarde) e agora vou à mesma hora que toda a gente vai. Simples! Lógica da batata.

Já houve dias em que demorei uma hora e meia para cada lado. Eu tenho muito pouca paciência, como sabem. E estar ali parada faz-me sentir muito mais cansada do que o dia inteiro de trabalho. Já para não falar das dores nas pernas e nas costas e no pescoço. Toda eu sou uma dor. Mas mais do que o mal estar físico eu sinto-me a perder tempo ali parada.

Eu estou tão entusiasmada com o trabalho que quero chegar a casa e estudar sobre vários assuntos, ou escrever no blog, ou fazer outra coisa qualquer nem que seja dormir e relaxar aproveitando o bem estar que sinto por estar novamente num emprego que me cativa.

Então, o que fazer e como aproveitar o tempo (perdido) no trânsito?

  • Cantar. Uma coisa é ir no carro a ouvir música. Isso é básico. Dar concertos no carro é outra completamente diferente. As pessoas dos carros ao lado às vezes olham e eu fico até com pena de eles não ouvirem a minha voz incrível. É que realmente eu canto muito bem.
  • Observar as pessoas nos carros do lado também é uma boa solução. É sempre muito interessante imaginar a vida dos outros e fazer histórias à volta disso.. Mas não deixem que as pessoas percebam, por amor de deus,
  • Ouvir podcasts. Eu ouço muito podcasts quando estou a fazer comida, a estender a roupa, a escrever no blog ou a trabalhar. Mas nunca tinha ouvido no carro. Que burra! . É espetacular porque sinto mesmo que estou a aproveitar o tempo que ali estou parada. Tenho muitos episódios para ouvir de podcasts de vários temas. Desenvolvimento pessoal, marketing, viagens, entrevistas. Mas os meus preferidos são os podcasts de humor porque rir-me com vontade em plena fila de trânsito em vez de estar a bufar, é libertador. Tenho ouvido o Terapia de Casal da Rita e do Guilherme e tem feito maravilhas pela minha disposição quando chego a casa. (Tenho outras sugestões de podcasts aqui no blog se quiserem averiguar. Qualquer dia está na altura de vos actualizar e fazer outro post sobre os podcasts que mais ouço. Estou sempre a descobrir coisas novas).

Melhores são os dias em que consigo evitar o trânsito…mas como é que isso é possível?

O que é que eu pensei? Se eu for ao ginásio quando saio do trabalho…entre desfilar na zona das máquinas, fingir que faço abdominais e tomar banho… o trânsito vai passando. Quando saio do ginásio a hora de ponta já acabou e chego a casa à mesma hora do que quando venho diretamente do trabalho e fico na fila. A diferença é que venho sempre a andar e ainda fui “fazer exercício”.

Uma das coisas que me faz sentir orgulhosa de estar a escrever este texto é ter percebido e aprendido a lidar com uma contrariedade e ter entendido por mim própria como aproveitar o tempo (perdido) no trânsito. Estar no trânsito incomoda-me (como a toda a gente) e eu tive a maturidade e inteligência de fazer algo para contornar essa dificuldade. Palmadinhas nas tuas costas, Andreia. Muito bem!

 

*nem o pai morre nem agente almoça é uma série da autoria de Nicolau Breyner escrita por Rosa Lobato de Faria. Além disso, ficou como uma expressão para indicar que nunca mais é sábado. Ups, outra expressão. Tou bem parva, hoje. Bom já perceberam que quer dizer que nunca mais nos despachamos.